
O documentário “Lula”, dirigido por Oliver Stone e Robert S. Wilson, passa por uma remontagem e continua sem lançamento comercial no Brasil ou em outros países, embora tenha estreado no Festival de Cannes em 2024. Maximilien Arveláiz, um dos produtores, afirmou que a revisão da edição integra o método de trabalho da equipe.
“É o nosso método”, respondeu Arveláiz ao ser questionado sobre a decisão de remontar o filme e postergar sua comercialização. O produtor disse que distribuidores demonstraram interesse após as exibições em festivais, mas que a finalização levou mais tempo que o previsto.
A obra acompanha Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desde sua prisão em abril de 2018, durante a Lava Jato, até a eleição de 2022, quando derrotou Jair Bolsonaro. O filme também revisita a origem nordestina e a trajetória sindical do presidente, além de abordar o impeachment de Dilma Rousseff.
Depois da sessão em Cannes, o documentário teve exibições públicas em festivais no Kosovo, em agosto de 2024, e em Busan, na Coreia do Sul, em outubro daquele ano. Uma cópia do longa também circula de forma irregular na internet.

Registro na Ancine e decisão sobre o ciclo eleitoral
O longa ainda não emitiu o Registro de Obra Estrangeira na Agência Nacional do Cinema, a Ancine, documento exigido para a comercialização de produções internacionais no Brasil. Arveláiz declarou que a equipe decidiu negociar os direitos para o país somente após o fim do ciclo eleitoral.
Uma previsão anterior apontava a estreia brasileira para o segundo semestre de 2024. O produtor negou que o atraso tenha relação com uma suposta dificuldade para obter imagens oficiais do Palácio do Planalto.
“A decisão preserva o caráter artístico e documental da obra e evita que sua exibição seja interpretada como iniciativa de natureza político-partidária”, afirmou Arveláiz. Ele divide os créditos de produção com o argentino Fernando Sulichin e com Wilson, que também assina a direção.
O filme voltou ao debate após a revista Veja publicar, no início de outubro, um áudio atribuído ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro sobre um suposto repasse de R$ 30 milhões para um documentário sobre Lula. A Polícia Federal, integrantes da Procuradoria-Geral da República e a defesa de Vorcaro negaram a existência de depoimento, documentos ou anexo de delação sobre esse financiamento; auxiliares de Stone afirmaram que o diretor não pediu recursos ao ex-banqueiro e não o conhecia.