Dois dias depois de volta às aulas, casos de covid fazem escolas de Manaus suspenderem atividades

Publicado originalmente na Rede Brasil Atual

Por Rodrigo Gomes

Além dos casos confirmados de covid-19 na volta às aulas, estudantes usaram as máscaras de forma incorreta e debocharam do material entregue pelo governo estadual

Após dois dias da abertura de escolas em Manaus, ao menos duas unidades tiveram a volta às aulas suspensa devido a casos de covid-19. O Colégio Militar da Polícia Militar V – Tenente Coronel Cândido José Mariano e o Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja) Agenor Ferreira Lima suspenderam as atividades nesta quarta-feira (12).

O motivo, não confirmado pelas escolas, nem pela Secretaria da Educação do Amazonas, foi que professores teriam apresentado sintomas de covid-19 e testado positivo. As aulas foram retomadas na última segunda-feira (10). A rede pública de Manaus tem 100 mil estudantes.

Em vídeo, a professora do Ceja Priscila Soares diz que houve contaminação de um professor do período noturno. E que mesmo assim a escola pretende manter o plano de volta às aulas, independentemente do caso de covid-19, retomando as atividades amanhã (13). “A gente não pode aceitar isso. Isso demonstra a irresponsabilidade desse governo que não está preocupado com a segurança dos alunos, nem dos professores, nem de ninguém da escola. Se ele estivesse preocupado com a nossa segurança, não estaria nos mandando para esse retorno absurdo”, afirmou.

 

Denúncia!!!
Ceja Agenor Ferreira Lima!
Mesmo com caso positivo para COVID-19 a escola suspenderá a aula por apenas 24 horas e chama os professores para retornarem quinta-feira!
Um absurdo!!!
Precisamos chamar a greve pela vida!
#grevepelavida

Publicado por Priscila Soares em Terça-feira, 11 de agosto de 2020

O Colégio Militar V divulgou nota nas redes sociais informando a suspensão das aulas e o procedimento de desinfecção, mas sem explicar os motivos. E garantiu a continuidade do plano de volta às aulas, mesmo com o caso de covid-19. “Após o novo procedimento de desinfecção, a unidade de ensino retomará suas atividades com o monitoramento da saúde dos profissionais e estudantes por meio do Programa de Vigilância Ativa”, diz o comunicado.

Comunicado do Colégio Militar V, divulgado nas redes sociais

Wilson Miranda é cobrado

Manaus foi a primeira cidade a iniciar um plano de volta às aulas com medidas de proteção. No entanto, professores e outros trabalhadores da educação denunciaram que o kit de segurança distribuído contava com apenas uma máscara de pano. Nas redes sociais, estudantes criticaram o material entregue, que tinha tamanhos incompatíveis com as medidas dos alunos. Outras publicações relatam o uso incorreto do equipamento, cobrindo todo o rosto, pendurado na orelha ou preso abaixo do queixo.

Ontem, a Associação Sindical dos Professores e Pedagogos das Escolas Públicas de Manaus (Asprom Sindical) protocolou comunicado de greve por tempo indeterminado na Secretaria da Educação do Amazonas. O secretário de Comunicação da entidade, Lambert Melo, destacou que o estado voltou a registrar novos casos e mortes pela covid-19, e disse que a volta às aulas aumenta o risco de contaminação. “Só podemos falar em retorno quando a pandemia estiver controlada. A partir daí vamos discutir outras questões, como a reforma das janelas para facilitar a circulação do ar”, afirmou.

A Asprom Sindical denuncia que o governo de Wilson Miranda Lima (PSC) não realizou testagem prévia nos estudantes e professores, para detectar casos assintomáticos. Também cobrou uma ação específica no transporte coletivo, que terá a demanda aumentada com a circulação dos trabalhadores da educação, alunos e seus familiares. No estado, não há obrigatoriedade de usa de máscara no transporte coletivo, nem um programa de higienização intensificado dos veículos.

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