Dona de empresa de rope jump mandou apagar vídeo da morte de jovem, diz policia

Atualizado em 3 de julho de 2026 às 14:31
Evelyne dos Santos Gonçalves, dona de grupo de rope jump investigada por morte de jovem. Foto: Divulgação

A Polícia Civil de São Paulo identificou indícios de que Evelyne dos Santos Gonçalves, apontada como responsável pelo grupo de rope jump investigado pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, teria orientado integrantes da equipe a localizar e ocultar a câmera usada pela jovem durante o salto.

A informação consta do inquérito que indiciou a investigada por homicídio qualificado e fraude processual. Segundo o documento, a câmera estava presa ao braço de Maria Eduarda para registrar a experiência do salto. O equipamento não foi localizado e é considerado peça importante para esclarecer a dinâmica da queda.

Testemunhas relataram à polícia que ouviram a organizadora demonstrar preocupação com o paradeiro da câmera logo após o acidente. Conforme o inquérito, ela teria pedido que o equipamento fosse recuperado e que o conteúdo gravado fosse apagado.

O documento afirma que essas informações, somadas ao desaparecimento da câmera e à desativação de um perfil ligado à atividade nas redes sociais, “circunstâncias que, associadas ao desaparecimento da referida câmera e à desativação de perfil vinculado à atividade em rede social, indicam possível atuação voltada à supressão ou ocultação de elementos probatórios relevantes para a apuração dos fatos”.

Em depoimento, o instrutor Luiz Gustavo Oliveira afirmou que Evelyne pediu para que ele recuperasse a câmera antes mesmo de descer para prestar socorro à vítima. Segundo o relato registrado pela polícia,

“Ela lhe solicitou, ainda antes de sua descida para prestar socorro, que buscasse tal equipamento. Segundo ele, houve menção expressa de que seria necessário apagar o vídeo registrado, o que foi por ele recusado naquele momento em razão da prioridade no atendimento à vítima”.

As investigações também apontam que Evelyne se apresentava como CEO do grupo “Entre Cordas” e integrava o núcleo responsável pela organização do evento. Em seu depoimento, ela afirmou que não participava da operação técnica dos saltos, sustentando que sua atuação se restringia à edição de vídeos e à administração das redes sociais.

O inquérito descreve ainda uma série de falhas na realização da atividade. Conforme a Polícia Civil, havia excesso de participantes, atrasos na programação, ausência de protocolos formais de segurança, indefinição das funções dos integrantes da equipe e procedimentos executados de forma acelerada.

Para os investigadores, esse cenário comprometeu os mecanismos de controle necessários para uma atividade de alto risco. O indiciamento de Evelyne integra uma segunda fase das investigações sobre a morte de Maria Eduarda.

Os outros dois homens presos no caso, João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva e Gabriel Barros Martins, não foram indiciados nesta etapa. Já os instrutores Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves, indiciados no primeiro inquérito, permanecem presos enquanto a polícia tenta identificar quem ficou com a câmera utilizada pela vítima.

Maria Eduarda Rodrigues de Freitas morreu após ser lançada sem a corda de segurança durante um salto de aproximadamente 40 metros na Ponte do Esqueleto, em Limeira, no interior paulista. O Corpo de Bombeiros constatou a morte no local.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.