
Lucineide dos Santos Oliveira, sócia da Associação dos Aposentados do Brasil (AAB) e presidente da Igreja Evangélica Pentecostal Ministério Visão de Deus, foi indiciada pela CPMI do INSS por envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A investigação revelou que ela transferiu R$ 5,94 milhões para o BK Bank, instituição envolvida com o Primeiro Comando da Capital (PCC). O indiciamento foi formalizado após a leitura do relatório final da comissão, na sexta-feira (27), que incluiu 215 outras pessoas como responsáveis pela fraude.
A CPMI detalhou que Lucineide utilizou uma empresa de fachada, Expresso Marketing, para repassar os valores ao banco investigado. Além disso, ela foi identificada como operadora financeira de diversas transações ilegais, como o envio de R$ 9,5 milhões para a BSF Gestão em Saúde, investigada pela CPI da Covid-19 em 2021.
Além de sua atuação na AAB, Lucineide dos Santos Oliveira era tesoureira da entidade e desempenhava um papel central na organização criminosa ligada à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Rurais (Conafer).
Ela manipulou empresas de fachada e gerenciou a pulverização de recursos desviados de aposentados, com valores milionários transferidos para contas pessoais e empresas ligadas a ela. A CPMI apontou que Lucineide recebeu R$ 160,9 milhões entre 2019 e 2025, sendo R$ 113 milhões provenientes da Conafer.

A investigação financeira revelou que ela também transferiu valores a outros envolvidos, incluindo R$ 40 mil para Pedro Alves Corrêa Neto, servidor do INSS, e R$ 600 mil para o Auto Posto Topa Tudo, utilizado para branqueamento de capitais.
Outros repasses foram feitos para o escritório de Milena Câmara, filha do deputado Silas Câmara, além de aquisições de bens de luxo, como um Porsche Boxster 2023 e uma Mitsubishi Triton 2024, incompatíveis com seus rendimentos declarados.
O relatório da CPMI ainda destacou que Lucineide utilizou métodos para dificultar a fiscalização dos fluxos financeiros ilegais, incluindo o uso de nomes semelhantes e a constituição de empresas sem operação real. A comissão considerou a atuação dela fundamental para o esquema de lavagem de dinheiro e desvio de recursos do sistema previdenciário, indiciando-a por crimes como organização criminosa, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.
A Igreja Evangélica Pentecostal Ministério Visão de Deus, presidida por ela, também foi alvo de investigações. A fachada da igreja foi retirada após o escândalo ser revelado, e a suspeita de que o local abrigava uma empresa fantasma ligada à Conafer gerou mais indícios de irregularidades.
Lucineide, que tem vínculos com a AAB e a Conafer, ainda não se manifestou publicamente sobre as acusações. A AAB e a Conafer, que operavam a partir do mesmo endereço, enfrentam investigações por descontos ilegais aplicados em aposentadorias, sendo incluídas em processos administrativos de responsabilização pela Controladoria-Geral da União (CGU).