Dono da Choquei recebia dinheiro para promover MC Ryan SP e rifas, diz PF

Atualizado em 16 de abril de 2026 às 7:43
O dono da página “Choquei”, Raphael Sousa Oliveira, de moletom preto e óculos de grau, falando e olhando pro lado, sério
O dono da página “Choquei”, Raphael Sousa Oliveira – Reprodução/Record

Raphael Sousa Oliveira, dono da página “Choquei”, preso temporariamente nesta quarta-feira (15), está sob a suspeita de receber dinheiro para divulgar conteúdos favoráveis a MC Ryan SP e promover rifas e plataformas de apostas. Segundo a Polícia Federal, ele teria atuado como operador de mídia de um grupo investigado por movimentar cerca de R$ 1,6 bilhão em atividades ilegais, incluindo rifas e bets associadas ao crime organizado.

De acordo com a investigação da Operação Narco Fluxo, Raphael recebia valores elevados diretamente de MC Ryan SP para impulsionar sua imagem nas redes sociais. Além disso, ele também teria sido remunerado por operadores do esquema para divulgar rifas e plataformas de apostas, utilizando o alcance da página “Choquei”, que soma cerca de 27 milhões de seguidores no Instagram.

A Polícia Federal aponta que Raphael também atuava na contenção de crises de imagem relacionadas às apurações, com publicações voltadas a reduzir impactos negativos para os envolvidos. Os investigadores indicam ainda que ele recebeu valores milionários de Tiago de Oliveira, identificado como operador financeiro do grupo, e de José Ricardo dos Santos Junior, responsável por atividades de marketing e circulação financeira da organização.

As apurações indicam que o grupo utilizava plataformas de apostas de quotas fixas, conhecidas como bets, para movimentar recursos de origem ilícita. Segundo a PF, o esquema incluía o uso de dinheiro em espécie, transferências bancárias e operações com criptoativos, especialmente a moeda digital USDT (Tether), com movimentações no Brasil e no exterior.

A operação mobilizou cerca de 200 policiais federais para cumprir 90 mandados judiciais em diversos estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e o Distrito Federal. As ordens foram expedidas pela 5ª Vara Federal em Santos.

Ao todo, a Justiça determinou a prisão de 39 investigados, sendo 31 detidos nesta fase da operação. Também foram adotadas medidas para bloqueio de bens, com sequestro de patrimônio e restrições à atuação de empresas ligadas ao grupo. As defesas dos investigados informaram que irão prestar esclarecimentos no curso do processo.

Jessica Alexandrino
Jessica Alexandrino é jornalista e trabalha no DCM desde 2022. Sempre gostou muito de escrever e decidiu que profissão queria seguir antes mesmo de ingressar no Ensino Médio. Tem passagens por outros portais de notícias e emissoras de TV, mas nas horas vagas gosta de viajar, assistir novelas e jogar tênis.