Dono da Jovem Pan é condenado a indenizar ex-mulher por tê-la acusado de “roubar” obras de arte

Tutinha e Flávia Eluf: separação turbulenta gerou denúncia ao MPF

O dono da rádio Jovem Pan e do Pânico, Antônio Augusto do Amaral Filho, o Tutinha, foi condenado a pagar R$ 60 mil de indenização à ex-mulher Flávia Eluf Lufty, por conta de um escândalo que movimentou a alta roda paulistana há quase três anos.

Em 26 de julho de 2016, Tutinha publicou em sua conta no Facebook o relato de que, após a separação do casal, com a saída dele de casa, “desapareceram obras de arte (quadros, esculturas, etc) que guarneciam a residência”.

Dias depois, a revista Veja publicou reportagem sobre o caso, em que era registrada uma acusação de Tutinha contra a ex-mulher.

“Ela me roubou”, disse ele, conforme reportagem não desmentida (e compartilhada por ele no Facebook), que conta ainda:

“No fim do ano passado, conforme a sua versão, testemunhas viram um caminhão estacionar na porta do endereço. Dentro do veículo, teriam sido colocados quadros e outros objetos de valor. ‘Ela também sumiu com uma coleção de mais de cinquenta relógios, como Rolex. Até panela de 10 reais desapareceu’, garante”.

Os amigos de Tutinha na rede social acompanharam o caso como se fosse uma novela. “Que Baixaria… Dessa mulher !!!!”, disse Odalvo Menezes. “Essa mulher é uma farsante”, atacou Nina Carvalho. “Vou mandar essa lista pros meus amigos marchands!!!”, afirmou Tininha Machado Coelho.

Flávia moveu algumas ações contra Tutinha. Em uma delas, por injúria e difamação, o dono da Jovem Pan se retratou. O inquérito policial em que ele acusou a ex-mulher também foi arquivado.

“Sob quaisquer ângulos que se analise a matéria, constato que não havia nenhum fundamento para o réu imputar à autora a prática de subtração jóias e de objetos de arte do imóvel em que moravam quando casados, agindo de forma no mínimo imprudente ao difundir a ideia de que a autora houvera se apropriado de seus bens, não havendo também qualquer justificativa para que expusesse suas dúvidas em rede social e muito menos desse entrevistas a um veículo jornalístico”, afirmou o juiz na sentença.

O magistrado determina ainda envio de algumas folhas do processo para o Ministério Público. Ele não diz do que se trata, mas possivelmente se refere a um fato já em apuração pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.

É a denúncia de que a defesa de Tutinha apresentou ata notarial do 23o. Tabelião de Santana, com conteúdo “ideologicamente falso”. Segundo a ata, em uma conversa por WhatsApp entre o advogado da ex-mulher de Tutinha e a filha do casal, teria havido a confissão da subtração das obras de arte.

Segundo a denúncia, a conversa entre o advogado e a filha do casal nunca existiu. A defesa do dono da Jovem Pan teria apresentado um registrado deturpado de uma troca de mensagens entre o advogado e a cliente, Flávia.

A suspeita é que, para ter acesso a essa conversa, o telefone da ex-mulher de Tutinha foi grampeado clandestinamente.

O DCM procurou Tutinha, através de seu advogado. Mas até agora ele não se manifestou.

O dono da Pan poderá recorrer da sentença.

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Flávia Eluf Lufty também entregou ao Ministério Público Federal um pen drive com o patrimônio e registros da movimentação financeira do ex-marido. O arquivo ensejou a abertura de uma investigação na Polícia Federal, que tentou arquivar o caso. Mas o MP impediu e determinou que o caso continuasse a ser investigado. Pelo conteúdo do pen drive, há indícios de crimes de evasão de divisas, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e associação criminosa. O DCM publicou reportagem sobre o caso em 24 de fevereiro do ano passado — MPF manda Polícia Federal investigar dono da Jovem Pan por sonegação e lavagem de dinheiro. Por Joaquim de Carvalho.

 

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