
O liquidante do Banco Master apresentou ação nos Estados Unidos para tentar recuperar uma mansão de luxo em Orlando, na Flórida, adquirida por familiares do banqueiro Daniel Vorcaro. No processo, o administrador da liquidação sustenta que os recursos utilizados na compra do imóvel teriam sido desviados do banco.
Antes de ser adquirida pela família Vorcaro, a mansão pertencia ao empresário Flávio Augusto da Silva, fundador da escola de inglês Wise Up.
A ação judicial foi apresentada contra Henrique Vorcaro e Natália Vorcaro. Segundo a petição, os valores envolvidos na transação chegaram a cerca de R$ 180 milhões na cotação da época. O imóvel, localizado dentro do country club Isleworth, possui cerca de 2,35 mil metros quadrados.

A propriedade, segundo o Globo, foi comprada em 2023 por meio da empresa Sozo Inc., registrada na Flórida e apontada no processo como veículo para aquisição do imóvel. De acordo com os documentos apresentados à Justiça, Henrique e Natália seriam os beneficiários finais da companhia. O valor pago foi de US$ 32 milhões, além de aproximadamente US$ 3 milhões em mobiliário.
Segundo a EFB Regimes Especiais de Empresas, responsável pela liquidação do banco, os recursos fariam parte de um esquema fraudulento para desviar dinheiro da instituição.
“A Sozo Inc. foi utilizada por Henrique Vorcaro e Natália Vorcaro para dar continuidade à fraude, por meio da aquisição de ativos com recursos desviados do Banco Master. Com base nas informações disponíveis, a Sozo Inc. foi utilizada para ocultar a titularidade beneficiária de Henrique Vorcaro e Natália Vorcaro sobre o imóvel”, afirma a petição apresentada à Justiça estadunidense.

O liquidante também afirma que, após o início das medidas judiciais relacionadas à liquidação do banco, a empresa teria tentado vender rapidamente a propriedade para uma companhia sediada no estado de Delaware, a Chosen Vessel LLC. Segundo o documento, o imóvel não teria sido listado em plataformas públicas de venda para evitar exposição da negociação.
Flávio Augusto afirmou, por meio de nota, que não teve conhecimento de qualquer irregularidade envolvendo a transação.
“A venda do imóvel foi realizada em condições normais de mercado, com intermediação profissional e seguindo os procedimentos legais aplicáveis nos Estados Unidos. Flávio Augusto não conhecia o comprador até a negociação ser concretizada, bem como não teve conhecimento sobre a origem dos recursos utilizados”.
A defesa de Henrique Vorcaro também contestou as acusações. O advogado Eugênio Pacelli afirmou que o liquidante tenta ampliar o patrimônio do banco ao buscar bens de pessoas que não tiveram participação na administração da instituição. Segundo ele, a aquisição do imóvel foi feita com recursos próprios e de origem lícita.
A Justiça dos Estados Unidos ainda não tomou decisão sobre o pedido de bloqueio da propriedade.