Doria 2018: enquanto os ricos de SP descartam Alckmin, FHC rifa Aécio. Por Kiko Nogueira

Doria entre Galisteu e Lucilia Diniz (Foto: Manuela Scarpa/Brazil News)
Doria entre Galisteu e Lucilia Diniz (Foto: Manuela Scarpa/Brazil News)

 

A grande esperança branca da direita brasileira, João Doria, vai seguindo seu caminho rumo ao estrelato.

O prefeito de São Paulo ganhou até propaganda no jogo da seleção contra o Uruguai, paga, segundo consta, pelo dono da Ultrafarma, aquela empresa para a qual Doria fez um jabá na prefeitura. Não existe almoço grátis, cravou Milton Friedman.

A situação vai ficando embaraçosa para os caciques tucanos, obrigados a vexames históricas.

O padrinho de JD, Geraldo Alckmin, teve de presenciar o pupilo ser aclamado candidato a presidente em jantar para mais de 300 pessoas na mansão de Lucilia Diniz.

Bolsonaro, a alternativa para esse pessoal, é bacana, mas é pobre, não toma banho, não escova dos dentes, come de boca aberta e assusta os meninos.

Lucilia, pouco se lixando para o governador, falou num discurso que o convidado especial e amigo “surge como maior promessa de renovação da vida pública nacional”.

Humilhado, restou a Alckmin concordar com a anfitriã e a Doria vir com o velho papo furado de que o mentor é que é o cara etc. 

Com seu estilo de prefeito do interior, o provincianismo escancarado, a falta de personalidade até nos ternos e o atoleiro nas pesquisas, Alckmin é apenas tolerado pela alta sociedade paulistana.

Doria, não. Doria é um deles. É da casa. O antiLula de verdade. Um é o passado, o outro é o futuro. Como Collor foi um dia o futuro para eles e hoje é um cadáver.

A situação embaraçosa com Geraldo fez com que Lucilia escrevesse um post no Instagram tentando consertar o que já foi para o vinagre. O texto é idiota, cheio de exclamações adolescentes, mas dá uma medida da saia justa.

João Doria, escreve, “que sempre deu o melhor de si pelas empresas (respeito às pessoas, atenção aos detalhes…), agora oferece o seu melhor pela cidade. Pessoalmente entendo isso como algo admirável!”.

“Claro que muita gente imagina algo por trás, como o desejo de ser Presidente da República. Só que ele declarou veementemente no jantar que não era candidato a nada, e que estava adorando ser prefeito. E disse ADORANDO com um brilho intenso no olhar!”

A coisa continua: “Sou testemunha que o João ama cuidar daquilo que está diante dos seus olhos: ajeitar a gravata do amigo, um vaso de flores, voltar uma cadeira ao lugar, enfim, organizar o mundo que está à sua frente.”

Segundo a irmã de Abílio, Doria “quer mesmo é prefeitar!” Então tá.

Se serve de algum consolo para Alckmin, as palavrinhas Aécio e Neves não foram citadas na noite. Fernando Henrique Cardoso deu a senha numa entrevista ao Globo de que o caminho está livre para João Trabalhador.

Transcrevo:

Um ano e meio à frente da Prefeitura de São Paulo é suficiente para construir essa liderança?

Não. Mas pode dar voto.

Concorda que Aécio já não é tão competitivo como era em 2014?

Se olhar as pesquisas, é verdade.

Pelo menos desta vez Aécio foi o segundo a ser comido — mas que Mineirinho não gostaria de ser comido por FHC e o beautiful people! 

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