Doria associa governo Lula ao antissemitismo e anuncia voto em Flávio Bolsonaro

Atualizado em 19 de outubro de 2026 às 20:22
João Dória
O ex-governador de São Paulo João Dória, em evento da Federação Israelita do Estado São Paulo (FISESP). Foto: Reprodução/Youtube

O ex-governador de São Paulo João Doria associou o governo do presidente Lula (PT) ao avanço do antissemitismo e anunciou voto em Flávio Bolsonaro (PL) durante o Fisesp Day, realizado no domingo (18), na capital paulista. Sem citar os candidatos nominalmente, afirmou que votará contra quem, em sua avaliação, não respeitou a comunidade judaica. Horas depois, porém, na chegada ao debate da Band, apresentou-se como um eleitor que ainda precisava conhecer propostas para decidir.

Ao responder a uma pergunta sobre hostilidade contra Israel e a comunidade judaica, Doria acusou o governo federal de não amparar os judeus brasileiros e de se aproximar de líderes que negam o Holocausto. “Como pode um representante do governo brasileiro sentar com líderes numa viagem ao exterior que negam o Holocausto e que financiam movimentos para assassinar judeus em várias partes do mundo?”, questionou. Não identificou, nesse trecho, os interlocutores ou a viagem mencionados.

Doria classificou o período como “os quatro mais tristes anos do Brasil na relação com a comunidade judaica” e estendeu a comparação ao período posterior à Segunda Guerra Mundial. Ao justificar sua posição, destacou que esteve em Israel quatro vezes e recebeu um título da Universidade de Jerusalém, que descreveu como uma das comendas mais importantes de sua vida.

Na sequência, anunciou sua escolha para o segundo turno: “O meu voto pela segunda vez no próximo domingo será contra aquela pessoa que não teve a dignidade de respeitar a comunidade judaica no Brasil”. A declaração apontava para Flávio Bolsonaro, adversário de Lula, embora Doria não tenha pronunciado seu nome. Fez uma ressalva às opções disponíveis: “Ainda que tristemente, eu gostaria que o Brasil tivesse outras opções, mas é o que temos”.

Já à noite, em entrevista transmitida pela BandNews TV na chegada ao debate presidencial, Doria adotou outra postura. Questionado sobre sua posição diante da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, respondeu que defendia o Brasil e queria o melhor para o país. “Eu vim aqui para ver, assistir, compreender quais são as propostas dos dois candidatos para o Brasil e para os brasileiros”, afirmou.

Quando os jornalistas insistiram sobre sua escolha e perguntaram se também estava em dúvida, Doria voltou a apresentar o voto como uma decisão em aberto: “Eu faço parte daqueles eleitores que querem entender quais são as propostas para tomar sua decisão”. Acrescentou que ainda havia uma semana até a eleição. A escolha anunciada publicamente à tarde desapareceu das respostas aos repórteres à noite.

O apoio ao filho de Jair Bolsonaro veio acompanhado de novas críticas à gestão da pandemia pelo ex-presidente. No próprio Fisesp Day, Doria defendeu máscaras, isolamento e vacinação e contrapôs a compra de imunizantes à indicação de cloroquina pelo governo federal. O ex-governador já havia criticado a atuação de Bolsonaro na crise sanitária em março, diante do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que concordou com ele: “É verdade”.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!