Doria desistiu da presidência, não de arruinar as escolas. Agora tem que se explicar ao Ministério Público. Por Donato

Doria e os ex-sócios Civitas, donos da Abril, na prefeitura

 

O Ministério Público do Trabalho (MPT) deu 15 dias para o prefeito João Doria explicar os recados que vem enviando às escolas sobre o encerramento do período integral no ensino infantil a partir do ano que vem. As diretorias regionais de ensino (DRE) do Ipiranga e de Pirituba já vêm informando os pais de alunos desde outubro.

Como essas escolas atendem crianças na faixa de 4 e 5 anos, o Ministério Público do Trabalho quer que Doria volte atrás na decisão pois acredita que a medida trará prejuízos às famílias, acarretando inclusive no ‘agravamento e elevação do trabalho infantil’.

Corretíssimo. Quem deixa o filho na creche municipal, o faz por qual motivo? Como irá fazer com a criança no outro meio período? Quem irá buscar, onde irá ficar, o que irá comer? O prefeito não pensa?

Revoltados, pais de alunos haviam feito um protesto em frente à casa do prefeito tão logo souberam da decisão unilateral, arbitrária e desumana. Para variar, ele não estava na mansão do Jardim Europa.

Depois de passar o ano todo fazendo campanha para um cargo que ele não vai mais concorrer – ou seja, desistiu de algo pelo qual dedicou-se quase exclusivamente por 11 meses, viajando pelo mundo todo e abdicando de ‘prefeitar’ (cujo resultado vimos na primeira chuva antes mesmo do alto verão, com vários alagamentos, algo que foi alertado por um de seus secretários – ele demitiu o cara em vez de encarar o problema.

Portanto, o que vimos foi uma confirmação de que o secretário estava com a razão, espere pelo pior nas próximas enchentes) – Doria retoma sua gestão aniquiladora de bem-estar social das camadas menos favorecidas.

Nos poucos momentos em que esteve com a caneta na mão durante o ano, o prefeito se preocupou em sucatear ainda mais a já combalida educação pública, cortando transporte escolar, proibindo que crianças repetissem a merenda (crianças chegaram a receber uma marca na mão, tal como em um campo de concentração), almejando trocar a merenda escolar por uma ração que só serve para casos extremos de fome (a tal farinata).

Desde o o início do ano, João Doria fechou salas de leitura, brinquedotecas e outros espaços educativos em nada menos que 33 escolas, reduziu a cobertura do Passe Livre Estudantil.

Sua moderna gestão usou menos de 10% do orçamento deste ano para construção de novas escolas de educação infantil e ainda mantém congelada – ou não executada – a maior parte do orçamento da cidade que é destinado à construção de quaisquer tipos de unidades educacionais. Agora o fechamento dos períodos integrais.

“Isso é um absurdo, o que mais esse Doria vai cortar?”, disse-me uma mãe em uma entrevista recente para o DCM sobre o tema escolas municipais.

Bem, João Doria já defendeu as ideias do Escola Sem Partido, já se declarou simpático até às regras ‘flexíveis’ de fiscalização do trabalho escravo sugeridas pela bancada ruralista. Alguém acredita que ele vai parar por aí?

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