Duas tentativas de suicídio antes do resgate: as últimas horas de vida do “sicário” de Vorcaro

Atualizado em 9 de março de 2026 às 11:26
Luiz Phillipi Machado Moraes Mourão, o Sicário. Foto: reprodução

Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, morreu dois dias após tentar se enforcar dentro da carceragem da Polícia Federal em Belo Horizonte. Ele havia sido preso na quarta-feira (4) durante a Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras ligadas ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Imagens de câmeras de segurança registraram os últimos momentos de Mourão na cela. Segundo o “Fantástico”, o preso estava sozinho quando foi ao banheiro, retornou com a camisa de manga comprida enrolada no pescoço e a prendeu às grades. Em seguida, tentou se enforcar duas vezes antes de ser socorrido.

O superintendente da Polícia Federal em Minas Gerais, Richard Murad, explicou como ocorreu o resgate. “Decorreram aproximadamente 10 minutos, no máximo. A equipe, assim que constatou a anomalia da situação, se deslocou imediatamente. Ele foi retirado da posição de enforcamento e acionados tanto o SAMU quanto uma equipe de pronto-socorro da própria Polícia Federal, que imediatamente iniciou o processo de reanimação mudou preso. Conseguimos estabilizá-lo até a chegada da equipe do SAMU e a partir daí passamos aos cuidados da equipe de saúde do SAMU de Minas Gerais”.

Após o episódio, Mourão foi levado ao Hospital João XXIII, onde permaneceu internado em estado grave até ter morte encefálica confirmada dois dias depois. A Polícia Federal informou que colheu depoimentos e abriu investigação para esclarecer as circunstâncias do caso.

“Sicário” antes de ser preso. Foto: reprodução

Segundo os investigadores, Mourão era apontado como operador ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro. Ele teria a função de monitorar adversários, constranger opositores e, em alguns casos, promover agressões físicas. O grupo, conhecido informalmente como “A Turma”, também seria responsável por tentar obter informações sigilosas em sistemas restritos.

Mensagens entre Mourão e Vorcaro foram divulgadas em decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça. Em uma delas, o banqueiro teria manifestado intenção de agredir o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo. Segundo o ministro, a intenção seria “calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”.

Antes das investigações relacionadas ao Banco Master, Mourão já era alvo de apurações do Ministério Público de Minas Gerais por suspeita de fraude financeira. Ele foi sócio da empresa Maximus Digital Fomento Mercantil Ltda., que prometia rendimentos elevados a investidores.

De acordo com a promotora de Justiça Janaina de Andrade Dauro, o esquema envolvia promessas de ganhos extraordinários sem explicações claras sobre a aplicação dos recursos. “O Luís Felipe e outros dez denunciados praticaram diversos crimes contra a economia popular, é, anunciando falsamente, é, investimentos, é, vultosos, é, de retorno exorbitante e também o crime conhecido como crime de pirâmide”.

As investigações indicam que Mourão movimentou cerca de R$ 28 milhões entre 2018 e 2021 em contas ligadas a empresas de fachada. O grupo também teria obtido cerca de R$ 62 milhões em empréstimos bancários utilizando imóveis superavaliados como garantia.

Conhecido pelo apelido “Sicário”, termo associado a matadores de aluguel, Mourão era descrito pela polícia como um operador de perfil violento. Ele tinha passagens por crimes como estelionato, receptação, uso de documento falso e ameaça, embora não tenha sido condenado nesses casos.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.