
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (3) que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara um ajuste fiscal gradual, com preservação dos compromissos assumidos na campanha e medidas para melhorar as contas públicas. Lula ainda precisa avaliar os cenários econômicos antes de decidir quais propostas apresentará. Com informações de Folha de S.Paulo.
“O projeto que o presidente Lula apresentou e saiu vitorioso das urnas é um projeto generoso com o país, que se compromete com as diferentes classes e diferentes categorias do país, e ao mesmo tempo com melhora fiscal”, disse Durigan a jornalistas.
Questionado sobre o calendário das medidas, o ministro não confirmou se o governo enviará propostas ao Congresso em novembro ou dezembro. Ele afirmou que as discussões continuam e condicionou os próximos passos à análise do presidente.
A equipe econômica estuda uma proposta de emenda à Constituição para permitir que o novo governo busque o centro da meta fiscal e congele uma parcela maior do Orçamento, se considerar necessário para melhorar a trajetória da dívida pública.

Indicações ao Banco Central e debate sobre os juros
Durigan também afirmou que as seis indicações que Lula poderá fazer ao Banco Central seguirão “rigor técnico”. O ministro procurou afastar especulações sobre uma possível reunião do presidente com o economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real.
“Até agora não tem nenhuma agenda colocada. Há uma precipitação muito grande sobre com quem o presidente vai falar ou não, porque não há agenda colocada”, afirmou o ministro. Durigan classificou como incipiente a proposta de Lara Resende para limitar a Selic e apontou “várias deficiências” na ideia.
Lara Resende defende que o principal problema fiscal brasileiro está no custo dos juros, e não nas despesas primárias. A dívida pública chegou a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto a taxa Selic elevada aumenta os encargos da rolagem dos títulos públicos.
De janeiro a setembro, os gastos federais somaram R$ 1,9 trilhão, crescimento real de 5,4% ante o mesmo período de 2025. A arrecadação avançou 6,5%, mas o resultado primário acumulou déficit de R$ 90,2 bilhões, sem considerar os juros da dívida.