
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou as sanções dos Estados Unidos contra brasileiros e empresas suspeitos de ligação com o PCC e afirmou que a segurança pública no país deve ficar sob responsabilidade das instituições nacionais.
“Quem tem que cuidar de segurança pública no Brasil são os brasileiros. É a polícia brasileira, são os investigadores brasileiros, é o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), a Receita Federal”, disse Durigan em entrevista à Record na quarta-feira (01).
O ministro defendeu que a cooperação internacional ocorra por meio do compartilhamento de informações. Para ele, autoridades norte-americanas deveriam enviar dados que ajudem investigações brasileiras, em vez de aplicar medidas unilaterais com impacto sobre pessoas e empresas no país.
Durigan também citou o risco de sanções atingirem negócios que atuam dentro da legalidade. “E se eles, a pretexto de quererem combater o Comando Vermelho e o PCC, atingirem uma empresa legal? Esse é o problema. O cidadão não sabe como recorrer”, afirmou.
O convidado do #JREntrevista desta quarta-feira (1º) é o ministro da Fazenda, Dario Durigan. À jornalista Flávia Alvarenga, ele falou sobre a expectativa do governo federal em aprovar o fim da escala de trabalho 6×1 no Senado ainda neste primeiro semestre do Legislativo. Segundo… pic.twitter.com/ib09smu4sD
— Jornal da Record (@jornaldarecord) July 2, 2026
Tesouro dos EUA bloqueou bens de brasileiros e empresas
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou o bloqueio de bens de Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. Os dois são acusados pelo órgão norte-americano de lavar mais de US$ 30 milhões para a facção criminosa por meio de criptomoedas.
As sanções também atingiram quatro empresas sediadas no Brasil e em Portugal: Victory Trading, Pixwave e Wave Construções, em São Paulo, e Avenidas Flutuantes, em Lisboa. O Tesouro dos EUA afirma que elas fariam parte do esquema financeiro operado por Shimada.
O governo de Donald Trump classificou o PCC como ameaça significativa à segurança nacional norte-americana. Em comunicado, os Estados Unidos chamaram a facção de “maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental” e a acusaram de usar o sistema financeiro do país para lavar dinheiro.
Durigan alertou ainda para possíveis efeitos das medidas sobre o sistema de pagamentos brasileiro. O ministro citou o Pix entre os meios de pagamento observados por autoridades norte-americanas e disse que o governo vê com preocupação interferências externas sobre instrumentos da economia nacional.