E eis que a Lava Jato resvala em Reinaldo Azevedo. Por Paulo Nogueira

Qual a origem do dinheiro da revista dele?
Qual a origem do dinheiro da revista dele?

E eis que a Lava Jato resvala em Reinaldo Azevedo, através de Luiz  Carlos Mendonça de Barros, um dos homens fortes de FHC na economia.

Sergio Machado citou Mendonça de Barros em sua delação. Mendonça de Barros, coordenador da campanha de reeleição de FHC, teria providenciado 4 milhões de reais — em dinheiro da época — para que Aécio financiasse 50 candidatos a deputados federais que lhe permitissem virar depois presidente da Câmara.

Mais ou menos na mesma época, Mendonça de Barros estava montando uma revista chamada Primeira Leitura, em que Reinaldo Azevedo foi uma figura capital.

De onde veio o dinheiro para o lançamento da revista? De sobras de campanha?

É uma pergunta interessante e pertinente.

Em 2004, Mendonça de Barros deixou a revista, que nunca chegou a decolar nem em público e nem em prestígio. Ele provavelmente cansou de colocar dinheiro — fosse dele mesmo ou de sobras de campanha.

A Primeira Leitura continuou mesmo assim, com Reinaldo Azevedo no timão.

A vida pós-Mendonça não foi nada fácil no quesito financeiro. Virou notícia uma mãozinha dada pelo governo Alckmin por meio de publicidade da Nossa Caixa.

Alckmin é sempre generoso, com o dinheiro público, quando se trata de mídia amiga, por mais irrelevante que seja. Soube-se também, há não muito tempo, que um site chamado Implicante, dedicado a atacar o PT, era bancado por Alckmin.

Mas nem assim a revista sobreviveu.

Numa entrevista de 2006 ao Observatório da Imprensa, Reinaldo Azevedo tentou explicar os anúncios da Nossa Caixa. Eles eram no mínimo estranhos. Que a Nossa Caixa estava fazendo numa revista supostamente sofisticada, lida por pessoas que hoje seriam classificadas como coxinhas?

Azevedo tergiversou. Disse que os números justificavam. Falou em 2 milhões de acessos do site da Primeira Leitura. Ora, apenas como referência, o DCM tem dez vezes mais que isso.

Na entrevista, ele teceu elogios entusiasmados à Veja. “Eu gosto muito da Veja. Se fizesse uma revista semanal, gostaria que ela fosse como a Veja”, afirmou. Disse que não se tratava de pedido de emprego, mas o fato é que os elogios funcionaram exatamente como isso.

Ele acabaria inaugurando na Veja, ao lado de Diogo Mainardi, o colunismo de famulagem: a defesa estrepitosa e intransigente dos interesses dos patrões. Uma carreira medíocre, obscura, de zé mané alçou vôo assim.

Os barões da imprensa recompensam seus fâmulos.

Acabaram-se, na Veja, seus problemas de dinheiro. Até porque a Abril tinha notável domínio na arte de mamar em dinheiro público — de anúncios a financiamentos do BNDES, da venda de livros e assinaturas a isenções fiscais como o papel imune.

Fica agora por esclarecer o dinheiro que sustentou a Primeira Leitura de Mendonça de Barros e Reinaldo Azevedo.

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