“É hora de abolir o governo dos EUA”

O radialista, ativista e teórico da conspiração que quer marchar em Washington com rifles carregados.

Kokesh
Kokesh, o Lobão armado

Adam Kokesh é um radialista e ativista “libertário” de 31 anos, ex-fuzileiro naval, filho de um empresário da Califórnia. É contra a intervenção americana no Iraque – de cuja guerra é veterano – e já foi preso algumas vezes em protestos.

Adam é também louco, daquele tipo que os Estados Unidos têm em cada vez maior quantidade: um teórico da conspiração. Em 2010, depois de várias encrencas (como distribuir pôsteres com desenhos de árabes estereotipados, com bombas e olhos de raio laser, e a inscrição: “Odeia muçulmanos? Nós também!!!”), ele passou a apresentar um programa de rádio antigovernista chamado Adam vs The Man, em que promovia tanto o Tea Party quanto o movimento Occupy Wall Street. É a visão de mundo da “fusão paranoica” – uma loucura apocalíptica que transcende a direita e a esquerda.

Kokesh resolveu agora dar um passo além: convocou uma marcha em Washington, pelo Facebook, combinada para o 4 de julho. Ele quer pelo menos mil pessoas para andar com ele com os rifles carregados, às margens do rio Potomac. De lá, vão para a capital americana, onde o porte de armas é proibido.

“Este será um evento sem violência”, diz. “A não ser que o governo opte por torná-lo violento”.

A convocação fala o seguinte:

“Este é um ato de desobediência civil e não é permitido. Vamos marchar com rifles carregados e pendurados em nossos ombros para que o governo saiba que não seremos intimidados e não nos submeteremos à tirania. Se encontrarmos violência física, nós retornaremos pacificamente, tendo mostrado que pessoas livres não são bem-vindas em Washington, e retornando com a conclusão de que políticos, burocratas e agentes do governo federal não são bem-vindos na terra dos livres”.

No rádio e na Internet, seu discurso é mais radical. “É hora de abolir o governo federal dos EUA”, ele escreveu no Twitter. “Quando o governo vem tomar suas armas, você pode atirar nos agentes do governo ou submeter-se à escravidão”.

Kokesh avisou que só dará vazão a sua cavalgada se o quórum bater em mil malucos. Até agora, mais de 1500 já confirmaram. E se, apesar dos apelos de seu líder, um desses sujeitos disparar um tiro sem querer? E se tudo terminar numa batalha campal — transmitida ao vivo?

A nova modalidade da teoria da conspiração é a da profecia auto-realizável. Se algo de diabólico não acontecer, bastar provocar uma catástrofe e partir para o abraço.

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