É hora de “adotar um lockdown completo”, diz médico da USP Ubiratan de Paula Santos

Lockdown no Rio – Berg Silva / Prefeitura de Niterói

Publicado originalmente na Opera Mundi:

Na semana em que o Brasil bateu mais um recorde de mortes por covid-19 e superou a marca de 250 mil óbitos causados pela doença, o professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e médico pneumologista Ubiratan de Paula Santos defendeu que o país entre em um lockdown completo para combater a pandemia.

Presidente do Conselho Superior da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), Santos concedeu entrevista a Opera Mundi nesta sexta-feira (26/02) e afirmou que a forma mais promissora de reduzir o número de mortes no país atualmente é “adotar medidas de contenção mais drásticas”.

“Tenho defendido adotar um lockdown completo no qual durante 15 dias ninguém trabalhasse e os 15 dias seguintes todos trabalhassem. Se alguém tiver sintomas, todos daquela casa não poderiam voltar ao trabalho. O estado ou o governo federal, que tem os cadastros das famílias, deveriam monitorar constantemente o que está acontecendo e colocar a atenção básica de saúde trabalhando de forma integral”, disse.

Para o professor, o aspecto vantajoso desse sistema de isolamento é que ele permitiria reduzir as infecções e, consequentemente, as mortes causadas pela covid-19. “Eu tenho que reduzir infecção para reduzir internação, reduzir pacientes na UTI e evitar que as pessoas morram”, afirmou.

Sobre casos de colapsos em sistemas de saúde, como o registrado na cidade de Manaus, o especialista defendeu que regiões fossem fechadas para que os profissionais locais tivessem condições de agir de forma precisa sobre o problema.

“Deveríamos cercar cidades e regiões, São Paulo deveria ter sido fechada, Manaus também. Esse período de fechamento de regiões deveria ser feito para os especialistas entenderem o grau da pandemia em cada região e poder ter controle absoluto da situação”, pontuou.

Santos ainda destacou que um lockdown completo como o sugerido traria “previsibilidade ao mundo empresarial, impondo escalas de trabalho de 15 em 15 dias por, hipoteticamente, dois meses”, reforçando a noção de que para a economia funcionar “é preciso preservar a vida dos trabalhadores”.

Entretanto, o professor lembrou que, além disso, “é preciso dar condições para que as pessoas desempregadas e pobres vivam e recebam um salário mínimo para que não precisem sair às ruas para sustentar suas famílias”.

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