“É hora de desmascarar o Congresso inimigo do povo”, diz Lindbergh após acordão da Dosimetria

Atualizado em 30 de abril de 2026 às 11:12
Lindbergh Farias, deputado federal. Foto: reprodução

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) acusou, nesta quinta-feira (30), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), de fechar um acordo com a extrema-direita para pautar a derrubada do veto de Lula (PT) ao PL da Dosimetria e, ao mesmo tempo, barrar a instalação da CPI do Banco Master.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Lindbergh afirmou que a articulação beneficiaria condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e evitaria uma investigação sobre o Banco Master, caso que envolve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e pode atingir integrantes da classe política.

“É hora de desmascarar o ‘Congresso inimigo do povo’. É hora de revelar a verdade, o que está acontecendo é um acordão vergonhoso entre o bolsonarismo e o Centrão com dois objetivos: barrar as investigações da Polícia Federal. É como se Romero Jucá que lá atrás falou ‘é preciso estancar essa sangria’. É como se isso tivesse voltado”, disse Lindbergh.

Segundo o deputado, o primeiro objetivo do acordo seria conter o avanço de apurações conduzidas pela Polícia Federal e pela Receita Federal. Ele citou a Operação Carbono Oculto, que investiga conexões entre crime organizado, sistema financeiro e agentes políticos.

“Eles estavam incomodados há muito tempo com a Operação Carbono Oculto, que pegou o andar de cima do crime organizado, o sistema financeiro do PCC, gente da política. Eles estavam incomodados com as investigações da Polícia Federal e da Receita Federal em cima do Banco Master”, afirmou.

O parlamentar também disse que o segundo objetivo da articulação seria favorecer Jair Bolsonaro (PL) e militares condenados por envolvimento na tentativa de golpe. “E o ponto dois é livrar a cara de Jair Bolsonaro e dos generais golpistas”.

A sessão do Congresso marcada para esta quinta-feira deve analisar o veto de Lula ao PL da Dosimetria, que reduz penas de Bolsonaro e de outros condenados pelos ataques golpistas. A tendência, segundo relatos de parlamentares, é que o veto seja derrubado.

“Hoje, eles vão tentar, e a gente vai resistir. A última etapa desse acordão vergonhoso, que é a derrubada desse veto da Dosimetria. O Alcolumbre não chamava a sessão do Congresso por que? Porque tinha medo, o PL o ameaçava”, disse Lindbergh.

Para a CPI do Master sair do papel, o requerimento precisaria ser lido na sessão desta quinta, a primeira desde o protocolo do pedido. Segundo congressistas ouvidos pela Folha, Alcolumbre pretende evitar a leitura e teria feito um acordo com a oposição para que não haja contestação.

Em troca, o presidente do Congresso pautou o veto ao PL da Dosimetria. A negociação teria sido conduzida também pelo relator da proposta, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), para permitir a votação sem abertura da CPI.

Lindbergh defendeu reação política e comparou o momento à mobilização contra a PEC da Blindagem. “Chegou a hora da gente virar o jogo, como viramos ano passado. Vocês lembram quando eles vieram com a PEC da Blindagem? Eles aprovaram na Câmara, a gente foi para as ruas e as ruas derrotaram a PEC da Blindagem”.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.