
O primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, aceitou a demissão de Miroslav Lajčák, membro do Conselho de Segurança do seu governo. O nome do conselheiro foi um dos que apareceram na nova leva de documentos revelados do caso Epstein. O órgão é o principal colegiado do governo para temas de segurança nacional.
Diante da repercussão, Lajčák divulgou comunicado negando irregularidades e afirmando que as mensagens tinham caráter informal. O diplomata também declarou condenar os crimes atribuídos a Epstein e informou que decidiu deixar o cargo para evitar impactos políticos ao governo. Segundo ele, a decisão foi tomada para que o episódio não fosse associado às decisões do primeiro-ministro.
“Não por ter cometido qualquer ato criminoso ou antiético, mas porque não quero que ele arque com as consequências políticas de algo que não tem relação com as decisões dele”, afirmou Lajčák ao anunciar sua saída. A renúncia ocorreu após pressão dentro da coalizão governista e de partidos de oposição.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Robert Fico confirmou que aceitou a renúncia e elogiou a trajetória do ex-conselheiro. O primeiro-ministro descreveu Lajčák como uma referência em diplomacia e política externa, destacando sua atuação internacional ao longo de décadas.
Os documentos que deram origem à crise foram divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos na sexta-feira (30). O material reúne milhões de páginas, além de milhares de vídeos e imagens, produzidos ao longo de cerca de duas décadas de investigações sobre Epstein e seus contatos com figuras do meio político, empresarial e filantrópico.
Entre os arquivos há uma troca de mensagens datada de outubro de 2018, período em que Lajčák ocupava o cargo de ministro das Relações Exteriores da Eslováquia. Registros indicam encontros com Epstein após o financista ter cumprido pena por crimes sexuais na Flórida. Não há, até o momento, acusação formal contra o diplomata eslovaco.
As revelações também geraram repercussão no Reino Unido, com questionamentos sobre a relação entre Epstein e o príncipe Andrew. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que Andrew deveria cooperar com investigadores norte-americanos. Até agora, não houve resposta ao pedido do Comitê de Supervisão da Câmara dos EUA para uma entrevista transcrita.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump comentou a divulgação dos arquivos e disse que o conteúdo reforçaria sua posição sobre o caso. Ele afirmou que ainda não havia analisado pessoalmente os documentos, mas que teria recebido relatos nesse sentido.
Os registros citam ainda correspondências de Epstein com nomes como Steve Bannon, Steve Tisch, Bill Gates e Elon Musk. Também há referências às investigações que resultaram nas acusações de tráfico sexual apresentadas em 2019 contra Epstein e, em 2021, contra sua associada Ghislaine Maxwell.
Documentos recém-divulgados indicam ainda que o FBI investigava Epstein desde 2006 e chegou a elaborar uma minuta de indiciamento em 2007, baseada em relatos de menores de idade. Embora essas acusações iniciais não tenham avançado à época, elas compõem o conjunto de informações que voltou a circular com a nova divulgação do material.