“É mais justo um morrer por todos que todos por um”: Bolsonaro e o suicídio, alternativa romana ao impeachment

Bolsonaro em live com apaniguados

Desde o início da pandemia, mais de 180 mil pessoas morreram no Brasil devido ao novo coronavírus.

O Ministério da Saúde ainda investiga se a morte de 2.296 pessoas foi por covid-19. 

Acima deles, paira a sombra de Jair Bolsonaro, o genocida-chefe, responsável direto pela tragédia.

O sujeito conta com a falta de apetite de Rodrigo Maia em pautar o impeachment. Dado o quadro geral, é pouco.

Como já escrevi aqui, caso estivéssemos na Roma antiga, Bolsonaro poderia ser induzido a um suicídio.

Essa era a alternativa mais comum quando um notável se encontrava em apuros insolúveis.

O método mais popular era praticado dentro de casa. O sujeito entrava numa banheira quente e abria os pulsos verticalmente, deixando que o sangue esvaísse e a natureza seguisse seu curso.

(Essa foi a saída escolhida pelo mafioso delator Pentangeli no “Poderoso Chefão”, aliás).

A maioria dos políticos preferia isso à condenação oficial e posterior execução.

Segundo o historiador Tácito, os últimos anos de Tibério foram pródigos nesse tipo de ocorrência.

“Por medo do carrasco preferiam morrer assim, e também porque, aos condenados, recusava-se sepultura e os bens eram confiscados, enquanto que aos que tiravam a própria vida respeitava-se o testamento e dava-se sepultura ao corpo como recompensa”, escreveu.

Sêneca, tutor de Nero, e Petrônio, escritor, abriram as veias.

Outros preferiram algo mais dramático: o general Quintílio Varo, ao se ver cercado pelos germanos em Teutoburgo, cravou a espada em si mesmo.

Derrotado por Otávio após o assassinato de Júlio César, Marco Antônio fez a mesma coisa. Cleópatra, sua amante, se deixou picar por uma áspide.

O imperador Otão, que reinou por três meses, foi formidável.

Em meio a uma guerra civil, cansado da anarquia, juntou seu exército e fez um discurso solene, declarando: “É mais justo um morrer por todos que todos por um”.

Retirou-se em seguida para sua barraca e deu cabo da existência.

Mas estamos falando de outro tempo e tipo diverso de homens públicos.

Bolsonaro prefere mandar os brasileiros para a morte — não no campo de batalha, mas infectados pelo coronavírus.

Otão, imperador romano