E o “voto em preço”? Por Fernando Brito

Presidente Jair Bolsonaro. Foto: AFP/Arquivos

Bem longe dos “conflitos entre Poderes”, o pior problema dos brasileiros hoje está nas etiquetas ou nos códigos de barra.

A inflação dos alimentos voltou com força – e sem chance de uma reversão rápida.

Da mesma forma que a de energia – a elétrica e a dos combustíveis.

Por trás delas, outras; a inflação das expectativas financeiras; dólar de volta à faixa de R$ 5,40, taxas de juros em alta, balança comercial – o único cenário paradisíaco – abalada pela queda forte do minério de ferro, de 35% em pouco mais de um mês.

A inflação acumulada no ano já “comeu” todo o reajuste do salário mínimo do início de 2021. Ainda faltam cinco meses para o final do ano.

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Voto impresso?

Com o INPC no patamar em que está, no final do ano, o rombo nas contas públicas ganha um buraco extra de até R$ 35 bilhões, o que ou abala os planos de “bondades eleitorais de Bolsonaro, ou demole o teto de gastos, com efeitos imprevisíveis nos mercados e, portanto, na economia.

A menos claro, que Bolsonaro dê reajuste menor que a inflação ao salário mínimo.

Bolsonaro já deixou claro que o governo e Paulo Guedes não têm plano econômico algum, exceto dizer que a alta de preços é devida aos impostos estaduais, que sempre estiveram onde estão.

As previsões de inflação e juros recolhidas pelo Banco Central vão subir novamente e, portanto, com um Banco Central que faz o que os bancos querem, indicarão uma alta na Taxa Selic. Há quem creia em até 1,25% na próxima reunião do Copom – para 6,5% – em meados de setembro e a até 8% quando chegar o final do ano.

Bolsonaro, tão feroz em agitar o voto impresso, deveria considerar que, na hora de escolher, há muito mais “voto em preço” nas eleições.

(Texto originalmente publicado em TIJOLAÇO)