Economia dos EUA não vai suportar guerra com Irã, admite aliado de Trump

Atualizado em 19 de março de 2026 às 17:01
O presidente dos EUA, Donald Trump. Foto: Divulgação

O economista EJ Antoni, indicado pelo presidente dos EUA por Donald Trump para comandar o Bureau of Labor Statistics (BLS), afirmou que a economia do país não tem força para suportar petróleo a US$ 100 por barril. Em entrevista ao ‘Financial Times’, ele disse: Não acho que esta seja uma economia capaz de lidar com o petróleo a US$ 100 o barril, simplesmente não é”, ao comentar o impacto da alta do petróleo provocada pela guerra envolvendo o Irã.

Segundo ele, a elevação dos preços da energia tende a pressionar a inflação e agravar a desaceleração econômica. “A economia está mais fraca e a inflação está pior do que pensávamos”, declarou, pouco antes da reunião do Federal Reserve que manteve os juros inalterados.

Ele também afirmou que os preços mais baixos de energia em 2025 ajudaram a conter a inflação, mas que a alta recente deve produzir o efeito contrário. A disparada do petróleo preocupa aliados de Trump, especialmente após o Brent se aproximar de US$ 110 por barril.

Nos Estados Unidos, a gasolina subiu para US$ 3,84 o galão, ante US$ 2,92 um mês antes, enquanto o diesel superou US$ 5. O aumento é visto como risco para o consumo e para as eleições de meio de mandato, já que encarece transporte e produção. Dados recentes reforçam o cenário de desaceleração.

O economista EJ Antoni ao lado do presidente dos EUA Donald Trump. Foto: Divulgação

O PIB do quarto trimestre de 2025 foi revisado para 0,7%, abaixo da estimativa inicial, e indicadores de preços no atacado mostraram inflação acima do esperado antes mesmo do início do conflito. No mercado de trabalho, a economia perdeu 92 mil vagas no último mês, revertendo parte dos ganhos anteriores.

Antoni afirmou que a fraqueza no emprego também reflete cortes no funcionalismo federal e criticou o próprio BLS, responsável pelas estatísticas oficiais. Em declaração anterior, ele comparou a agência a “um gerador de números aleatórios” e defendeu mudanças profundas na metodologia de coleta e divulgação de dados.

“É preciso uma revisão completa e total de cima a baixo de tudo, desde a coleta de dados até o processamento e até mesmo a divulgação dos dados, porque houve alguns problemas com vazamentos”, afirmou o economista ao defender reformulação na agência.

Trump havia indicado Antoni para chefiar o BLS em agosto, após demitir o então comissário depois de um relatório de empregos considerado negativo pelo presidente, que chegou a dizer que os números eram manipulados. A indicação foi retirada semanas depois, e o governo passou a apoiar o economista Brett Matsumoto, cuja confirmação ainda depende do Senado.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.