
A jornalista Míriam Leitão elencou, em sua coluna no jornal O Globo nesta terça-feira (17), os pontos que fazem o presidente Lula (PT) ser amplo favorito à reeleição. Quase em tom de lamento, a lavajatista atribui a provável vitória petista ao fator econômico, estabilizado por Lula após o governo de extrema-direita do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e à imagem radical da família, que o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP), na opinião da colunista, será incapaz de suavizar. Leia trechos da coluna:
O ambiente econômico de 2026 é favorável ao presidente Lula. Inflação sob controle, juros em queda, dólar fraco, crescimento maior do que no governo anterior, desemprego baixo e melhoria da renda. E a disputa sempre favorece o incumbente. Nas quatro eleições em que o presidente, ou a presidente, concorreu no cargo, só Jair Bolsonaro perdeu. Apesar de a pesquisa ter mostrado que Flávio Bolsonaro herda parte importante do espólio do pai, ele não tem a mesma capacidade de mobilização nem conseguiu galvanizar a direita. O favoritismo nesta eleição é do presidente Lula.
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O recall de um “Bolsonaro” é contaminado pelas más lembranças da pandemia, quando o então presidente ofereceu ao país uma sucessão de frases ofensivas e impiedosas. As falas do tipo “eu não sou coveiro” ou “chega de mimimi”, “vai ficar chorando até quando?” ficaram marcadas.
Os economistas de mercado financeiro já começam a dizer que o candidato da direita tem mais capacidade de reduzir o déficit público, mas sabem que não se baseiam em evidências. O “tesouraço” prometido no artigo do Brazil Journal é apenas uma palavra. Quem leu o artigo viu que nenhuma medida sustenta a promessa. Além do mais, há os fatos. A economia de Bolsonaro não foi bem, nem para os parâmetros liberais.
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O déficit primário é menor no governo Lula do que nos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, porém é um assunto difícil de tratar na corrida eleitoral.
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Economistas distantes da polarização e que são capazes de ver virtudes no governo Lula acham que ele deveria fazer uma promessa de ajuste fiscal no início de um novo mandato. É necessário porque as despesas obrigatórias têm crescido acima dos limites do arcabouço, e da capacidade do país de absorver. Em parte, a explicação está nos aumentos reais do salário mínimo que voltaram neste mandato, o que indexa a maioria das despesas previdenciárias.
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No período oficial de campanha, o presidente Lula contará com a vantagem de uma situação econômica que não atrapalha, pelo contrário, ajuda. E com o fato de ser o incumbente. Quem quiser acreditar que Flávio é moderado terá que esquecer, por exemplo, que numa entrevista à Folha, em 14 de junho de 2025, ele disse que o grupo do pai só apoiaria um candidato a presidente disposto a impor ao Supremo a aprovação do indulto ao ex-presidente. “Estamos falando da possibilidade do uso da força, de interferência em outro poder”. Não há um moderado de nome Bolsonaro.