
O filósofo, sociólogo e antropólogo francês Edgar Morin morreu aos 104 anos nesta sexta-feira (29). Ainda não há confirmação do local nem da causa da morte. O intelectual completaria 105 anos em 8 de julho e foi lembrado por pesquisadores no Brasil e no exterior como uma das principais referências do pensamento complexo.
Nascido em Paris em 1921 como Edgar Nahoum, Morin era filho de uma família judia sefardita. Durante a Segunda Guerra Mundial, atuou na Resistência Francesa contra a ocupação nazista e adotou o nome Morin na clandestinidade, sobrenome que manteve depois do conflito.
A experiência da guerra marcou sua trajetória intelectual. Seu primeiro livro, “O Ano Zero da Alemanha”, publicado em 1946, tratou da situação alemã no pós-guerra. Morin também foi ligado ao Partido Comunista Francês no período da resistência, mas depois se tornou crítico do stalinismo e de formas autoritárias de poder.
Autor de mais de 30 livros, Morin se tornou conhecido pela defesa de uma leitura integrada do conhecimento. Entre suas obras mais relevantes estão “O Homem e a Morte”, “O Cinema ou o Homem Imaginário”, “O Espírito do Tempo”, “Introdução ao Pensamento Complexo”, “Ciência com Consciência” e os seis volumes de “O Método”.
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Na educação, uma de suas obras mais difundidas foi “Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro”, publicada em parceria com a Unesco. O texto defende uma formação capaz de articular ciência, cultura, ética, incerteza, condição humana e cidadania planetária.
A historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz afirmou que Morin “atravessou o século que lhe foi dado viver como um cometa” e destacou sua luta contra o nazismo e contra ilusões simplificadoras da modernidade. O Centro de Estudos e Pesquisa Edgar Morin, sediado no Brasil, também lamentou a morte do intelectual.
Na Universidade de São Paulo, o professor Pedro Jacobi, do Instituto de Energia e Meio Ambiente, chamou Morin de “uma referência importante” em sua vida acadêmica.
“A barbárie nunca desaparece; ela pode ressurgir no coração mesmo da civilização.” – Edgar Morin