
O bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e dono do grupo Record, realizou um aporte de R$ 250 milhões no Banco Digimais em dezembro do ano passado para atender exigências do Banco Central e reforçar a estrutura de capital da instituição. O aumento foi aprovado em assembleia geral extraordinária, e o banco aguarda autorização do regulador para divulgar o balanço atualizado, já contemplando a injeção de recursos.
O reforço de capital integra um plano de reestruturação que tem como objetivo preparar o Digimais para uma eventual venda. Em média, instituições financeiras do mesmo porte operam com índice de capital superior a 12%, o que significa que, a cada R$ 100 em ativos, cerca de R$ 12 são recursos próprios do controlador.
Trata-se de uma exigência prudencial, voltada a garantir proteção contra perdas. De acordo com dados do Banco Central, o Digimais registrava, em setembro, índice de 6,35%, um dos menores de seu segmento. Em junho de 2025, o indicador havia sido de 12,07%.
Paralelamente ao aporte, o presidente do Digimais, Aldemir Bendine, determinou uma revisão detalhada da carteira de crédito da instituição. O banco enfrenta uma disputa com Roberto Campos Marinho Filho, gestor da Yards e sócio no fundo de investimento EXP 1.
Segundo o UOL, Marinho Filho cobra R$ 462,2 milhões referentes a CDBs emitidos por Master, Reag e Fictor que foram utilizados como pagamento pelas cotas do fundo. Ele sustenta que os títulos não têm lastro. O Digimais nega a acusação e afirma que os mais de R$ 88 milhões destinados ao fundo, oriundos de pagamentos de empréstimos pelos tomadores, demonstram a qualidade das operações.

A carteira do banco inclui títulos emitidos pelo Master e pela Reag, ambas instituições liquidadas pelo Banco Central, além de papéis da Fictor, empresa que tentou adquirir o Master e posteriormente entrou em recuperação judicial com dívida estimada em R$ 4,2 bilhões. A gestão atual avalia que o reforço de capital e a reorganização interna são passos essenciais para restaurar a confiança do mercado e ampliar o interesse de potenciais compradores.
Bendine assumiu a presidência há pouco mais de um mês com a missão de estruturar o banco para a venda. Caso não haja êxito nas negociações, a orientação do controlador é manter a instituição lucrativa, com a implementação de um novo plano de negócios.
Entre possíveis interessados, o banqueiro Maurício Quadrado, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master e fundador do Bluebank, chegou a negociar, mas recuou.
O Nubank também avaliou a operação, porém desistiu das tratativas. No momento, André Esteves, controlador do BTG Pactual, sinalizou interesse em analisar a instituição, com foco na possibilidade de aproveitar prejuízos fiscais acumulados pelo Digimais.