Eduardo Bolsonaro apresenta requerimento plagiado na Câmara

O deputado Federal Eduardo Bolsonaro. Foto: Ed Alves/CB/D.A

O deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair, apresentou um requerimento com plágio integral.

O requerimento nº 8/2021, entregue à Comissão de Relações Exteriores, que tenta criminalizar o partido político libanês, pede “aprovação de moção de repúdio ao movimento xiita Hezbollah”, e é uma coleção de colagens integrais, sem adaptações.

A denúncia foi feita pelo site Oriente Mídia, que cita 9 trechos plagiados.

1- “A milícia Hezbollah surgiu em 1985 como um movimento de resistência a Israel, que àquela época ocupava o sul do Líbano. A facção segue o ramo xiita do islã e se alinha ao Irã e ao regime da Síria.”

O trecho foi copiado do jornal O Sul, da Folha de Pernambuco e da Folha de S. Paulo.

2- “…Sua reputação como grupo extremista cresceu de forma rápida, principalmente pelos confrontos com milícias xiitas rivais e ataques terroristas a alvos estrangeiros dos quais podemos citar:

Nos anos 80 promoveu ataques à embaixada dos EUA e ao quartel da marinha americana ambas em Beirute capital do Líbano, deixando centenas de pessoas mortas;

Ainda nos 80 emitiu um manifesto prometendo forçar as potências ocidentais a sair do Líbano e destruir o Estado de Israel. Já em 1989, o Parlamento libanês assinou um acordo, pondo fim à Guerra Civil Libanesa e garantiu à Síria a guarda do país, também determinou o desarmamento de milícias muçulmanas no país, exceto uma: o Hezbollah;

… foi responsabilizado pelo ataque a embaixada de Israel em Buenos Aires e Londres;

(…)

Em 2006 o Hezbollah lançou diversos mísseis em direção a cidades israelitas da fronteira, gerando uma Guerra Israel-Hezbollah entre julho e agosto desse mesmo ano, deixando milhares de libaneses e 50 israelenses mortos.

O Hezbollah enviou milhares de combatentes para a Guerra Civil da Síria para ajudar o governo de Bashar al-Assad. Tal guerra é responsável por uma das maiores crises humanitárias da história, estima-se ao menos meio milhão de sírios mortos e mais de 12 milhões de refugiados.”

O trecho foi plagiado do site Notícias Concursos.

3- “No dia 18 de julho de 1994, uma explosão estremeceu o entorno da rua Pasteur, 633. A rua ficava no bairro de Balvanera, informalmente conhecido como “Once”, ao lado do centro da capital argentina. Uma bomba havia arrasado a sede da Associação Mutual Israelita Argentina (Amia). O saldo do ataque foi de 85 mortos e mais de 300 feridos. Das vítimas mortais, 66 estavam dentro do prédio da AMIA. Outras 18 pessoas passavam na calçada ou estavam nos prédios vizinhos.”

O trecho foi plagiado da Revista ÉPOCA.

4- “Esta organização que conta com um orçamento de US$ 1 bilhão por ano, dos quais US$ 700 são injetados pelo Irã…”

O trecho foi plagiado do site da Conib.

5- “… é considerado uma organização terrorista pelos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Argentina, Israel, Canadá, Países Baixos, pela Liga Árabe e pelo Conselho de Cooperação do Golfo”.

O trecho foi plagiado da Wikipedia.

6- “O Hezbollah está presente na América Latina desde os anos 1990. As milícias financiadas e treinadas através da Guarda Revolucionária iraniana começaram a se estabelecer através da denominada “Tríplice Fronteira” entre Argentina, Brasil e Paraguai.”

O trecho foi plagiado do site Diálogo Américas.

7- “…Em 2014, uma operação da Polícia Federal apontou a existência de uma relação entre o grupo libanês e a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), que atua principalmente nos presídios brasileiros. De acordo com os relatórios da PF, em 2006 os dois grupos passaram a atuar conjuntamente no contrabando de armas para o PCC, que em troca fornecia proteção aos membros do Hezbollah presos no Brasil…”

O trecho foi plagiado do site do Guia do Estudante.

8- “…O risco de ações terroristas não pode, por óbvio, ser completamente descartado mas é certo que a linha de atuação do Hezbollah na América do Sul mudou desde o atentado à AMIA. O grupo enxergou maior benefício em aliar-se a organizações criminosas do continente, praticando atividades como o narcotráfico e o contrabando de mercadorias nas fronteiras do Brasil com outros países da América do Sul.”

O trecho foi plagiado do jornal Gazeta do Povo.

9-“…o Hezbollah é antes de tudo uma organização terrorista, apesar de suas tentativas de se apresentar falsamente como uma entidade política legítima…”

Conforme cabalmente demonstrado, o requerimento de moção de repúdio em tela é o resultado sequencial de uma bricolagem digna de trabalhos escolares primários.”.

O trecho foi plagiado do site Share America.

Alguns dos parágrafos, inclusive, usam fake news.

Os dois últimos trechos são conclusivos da justificativa do documento e sequer isso o deputado escreveu de maneira autoral ou por meio de sua assessoria.

Leia o requerimento na íntegra:

Brasileiro-árabes pela amizade do Brasil com os Países Árabes


CÂMARA DOS DEPUTADOS

REQUERIMENTO Nº 8 , DE 2021. (Do Sr. EDUARDO BOLSONARO)

 

Requer a aprovação de moção de repúdio ao movimento xiita Hezbollah.

Senhor Presidente,

Requeiro, nos termos do art. 117 do Regimento Interno, a aprovação de moção de repúdio ao movimento xiita Hezbollah.

JUSTIFICATIVA

A milícia Hezbollah surgiu em 1985 como um movimento de resistência a Israel, que àquela época ocupava o sul do Líbano. A facção segue o ramo xiita do islã e se alinha ao Irã e ao regime da Síria. Sua reputação como grupo extremista cresceu de forma rápida, principalmente pelos confrontos com milícias xiitas rivais e ataques terroristas a alvos estrangeiros dos quais podemos citar:

  • Nos anos 80 promoveu ataques à embaixada dos EUA e ao quartel da marinha americana ambas em Beirute capital do Líbano, deixando centenas de pessoas mortas;

  • Ainda nos 80 emitiu um manifesto prometendo forçar as potências ocidentais a sair do Líbano e destruir o Estado de Israel. Já em 1989, o Parlamento libanês assinou um acordo, pondo fim à Guerra Civil Libanesa e garantiu a Síria a guarda do país, também determinou o desarmamento de milícias muçulmanas no país, exceto uma: o Hezbollah;

  • Em 17 de março de 1992 foi responsabilizado pelo ataque a embaixada de Israel em Buenos Aires e Londres;

    • No dia 18 de julho de 1994, uma explosão estremeceu o entorno da rua Pasteur, 633. A rua ficava no bairro de Balvanera, informalmente conhecido como “Once”, ao lado do centro da capital argentina. Uma bomba havia arrasado a sede da Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA). O saldo do ataque foi de 85 mortos e mais de 300 feridos. Das vítimas mortais, 66 estavam dentro do prédio da AMIA. Outras 18 pessoas passavam na calçada ou estavam nos prédios vizinhos.

    • Em 2006 o Hezbollah lançou diversos mísseis em direção a cidades israelitas da fronteira, gerando uma Guerra Israel-Hezbollah entre julho e agosto desse mesmo ano, deixando milhares de libaneses e 50 israelenses mortos.

    •  Hezbollah enviou milhares de combatentes para a Guerra Civil da Síria. Tal guerra é responsável por uma das maiores crises humanitárias da história, estima-se ao menos meio milhão de sírios mortos e mais de 12 milhões de refugiados.

      Esta organização que conta com um orçamento de US$ 1 bilhão por ano, dos quais US$ 700 são injetados pelo Irã (segundo pesquisa da Fundação para a Defesa das Democracias, com sede em Washington D.C.) , é considerado uma organização terrorista pelos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Argentina, Israel, Canadá, Países Baixos, pela Liga Árabe e pelo Conselho de Cooperação do Golfo.

      Na América Latina desde os anos 1990, as milícias financiadas e treinadas através da Guarda Revolucionária iraniana começaram a se estabelecer através da denominada “Tríplice Fronteira” entre Argentina, Brasil e Paraguai. Em 2014, uma operação da Polícia Federal apontou a existência de uma relação entre o grupo libanês e a organização criminosa Primeira Comando da Capital (PCC), que atua principalmente nos presídios brasileiros. De acordo com os relatórios da PF, em 2006 os dois grupos passaram a atuar conjuntamente no contrabando de armas para o PCC, que em troca fornecia proteção aos membros do Hezbollah presos no Brasil. O risco de ações terroristas não pode, por óbvio, ser completamente descartado mas é certo que a linha de atuação do Hezbollah na América do Sul mudou desde o atentado à AMIA. O grupo enxergou maior benefício em aliar-se a organizações criminosas do continente, praticando atividades como o narcotráfico e o contrabando de mercadorias nas fronteiras do Brasil com outros países da América do Sul.

      Senhor Presidente, Senhores deputados, o Hezbollah é antes de tudo uma organização terrorista, apesar de suas mais recentes tentativas de se apresentar falsamente como uma entidade política legítima. Essa questão do Hezbollah envergonha o Brasil no exterior. Temos que mudar essa realidade o quanto antes. Desconheço argumentos plausíveis que justifiquem considerar o grupo terrorista Hezbollah como partido político e por este motivo, conto com o apoio dos nobres pares para a aprovação desse requerimento.

      Sala das Sessões, de março de 2021.

      Deputado EDUARDO BOLSONARO PSL – SP

       

      Documento eletrônico assinado por Eduardo Bolsonaro (PSL/SP),através do ponto SDR_56352,na formado art.102,§1º, do RICD c/coart.2º,do Ato

      Apresentação:15/03/20211 6:25-CREDN

      Lex Edit da Mesa n.80 de 2016.

      REQn.8/2021  de março de 2021.

      Apresentação:15/03/2021 16:25-CREDN

      Documento eletrônico assinado por Eduardo Bolsonaro (PSL/SP), através do ponto SDR_ 56352,  na forma do art.102,§1º,doRICDc/coart.2º, do Ato

      *CD219295578600