Eduardo Bolsonaro ataca Jean Wyllys usando Clodovil, gay que todo homofóbico adora. Por Roberta Schendler

A decisão de Jean Wyllys de abrir mão do mandato e sair do país virou notícia internacional, em mais um desgaste para um governo destroçado em menos de 30 dias.

Bolsonaristas de todos os tipos e tamanhos estão nas redes contestando uma matéria da Reuters que chama Wyllys de “o primeiro congressista abertamente gay do Brasil”.

As hordas que defendem Jair clamam esse título para o falecido Clodovil Hernandes (1937-2009).

Clodovil, de acordo com a turma, era “um exemplo” e “merecia respeito” porque “não usava o homossexualismo (sic) para fazer política”.

Eduardo Bolsonaro entrou na onda: “como não era gayzista parte da imprensa o esqueceu”.

Clodovil é o exemplo máximo de gay que os homofóbicos adoram. Ele “sabia seu lugar”.

Jair Bolsonaro o usa como álibi. Num vídeo que seus seguidores espalham, elogia a “pureza de alma” do costureiro (abaixo) na Câmara.

Clodovil era um analfabeto político que usou a fama da televisão para virar deputado.

“Não sei o porquê de toda essa luta para aprovar o casamento gay se nós somos filhos de heterossexuais”, dizia.

“Eu optei por me espelhar num Leonardo da Vinci, e não num travesti de rua, que se veste de mulher e se prostitui.”

E por aí vai.

O clichê “polêmico” era aplicado ao seu comportamento.

Na verdade, um homem profundamente ressentido com antigos empregadores, traumatizado com a carreira na TV que não deu certo.

Mas está morto e, portanto, não tem como apoiar ou protestar diante do que essa escumalha está fazendo com sua imagem.

Está sendo usado vergonhosamente por oportunistas sem limite — muitos deles que, provavelmente, o mandariam tentar a cura gay na primeira oportunidade.

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