Eduardo Bolsonaro é o Ronaldinho Gaúcho da política. Por Donato

Eduardo Bolsonaro e o pai (corte da foto de Rafael Carvalho)

Em um jogo da Libertadores entre Atlético Mineiro e São Paulo, em 2013, Ronaldinho Gaúcho simulou estar com sede e pediu água para o goleiro adversário, Rogério Ceni.

Normalmente goleiros deixam uma garrafinha ao pé da trave.

Era uma pegadinha. Ronaldinho não estava com sede e já havia combinado com um companheiro de time que faria isso em alguma cobrança de arremesso lateral (não há posição de impedimento para bolas recebidas nessa condição).

Ronaldinho recebeu a bola em total liberdade e fez o passe para o gol.

Pilantragem, zero espírito esportivo, falta de caráter, tudo junto e misturado.

É o que fez Eduardo Bolsonaro na última sexta-feira. Sabendo que a toda a imprensa estava aguardando o horário em que o exame para coronavírus de seu pai seria divulgado, “antecipou” o resultado para a americana Fox News.

A escolha da Fox foi premeditada. A emissora é apoiadora de Trump, portanto insuspeita para a direita. Não teria porque Eduardo Bolsonaro mentir.

Pois bem, mentiu.

Sua estratégia era fazer com que a imprensa brasileira utilizasse a fonte americana e noticiasse que Bolsonaro pai estava infectado. Daí ele e todos os bolsonaros sairiam gritando: “fake news, imprensa nojenta, mente o tempo todo!!”.

Como a imprensa brasileira já conhece a turma que hoje está no poder, a notícia não foi dada. Mesmo assim Eduardo Bolsonaro e pai e irmãos gritaram “é mentira”.

Já se tornou clássica a frase “não tem mais bobo no futebol”. Ela nasceu depois de décadas de “malandragem e esperteza” brasileiras em cima de adversários “bobos, ingênuos”. Todos cansaram daquilo.

Na verdade as atitudes eram burlas às regras, falta de ética, ausência de espírito esportivo quando ainda nem havia se difundido o termo fair play. Em resumo, coisa de mau caráter mesmo.

O jornalismo da Fox nunca imaginou que o filho de um presidente de um país, que já foi candidato a embaixador do Brasil nos EUA, cujo pai (o presidente) estivera com o presidente do seu próprio país e sob suspeita de contaminação de um vírus pudesse brincar ou mentir com uma coisa dessas.

Se não tem mais bobo no futebol, no jornalismo ainda os há.

John Roberts é o correspondente da Fox na Casa Branca. Pode-se não simpatizar com as posições políticas de sua emissora, mas é um profissional sério, respeitado.

Pois é, senhor John Roberts, aqui é tudo malandro, mérmão. Jornalista americano ainda é mané, valeu?

A Fox caiu na cilada de Eduardo Bolsonaro por não estar habituada a ter que lidar com pessoas do alto escalão de uma nação que sejam tão baixas, de comportamento execrável.

Donald Trump pode ser o que for, mas não veio da bandidagem, não tem ligação com milícias. E nisso nós estamos começando a ficar escolados. Já sabemos que não se pode acreditar em uma única palavra do que diga alguém que desconvoca uma manifestação que afirma não ter convocado, por causa de um vírus que alegou ser fantasia.

Ao contrário do que pensa Sergio Moro, que foi se intrometer no caso Ronaldinho com a justiça do Paraguai, Ronaldinho Gaúcho não é mais “ídolo das criancinhas”.

O mesmo Moro, que já é conhecido como “capanga de milicianos”, parece desconhecer que criancinhas de hoje nem viram Ronaldinho Gaúcho jogar e se já estiverem acompanhando as notícias há algum tempo só terão tido conhecimento de um cidadão envolvido com muita coisa errada em diversas áreas.

Há anos ele pensa ser o malandro enquanto os demais são trouxas. Hoje, o embaixador do Turismo do desgoverno Bolsonaro está atrás das grades. O que será dos Bolsonaro e do ex-futuro embaixador de hambúrgueres daqui alguns anos?

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