
O lobista fascista Steve Bannon está sendo destroçado por uma parte do MAGA, nos EUA, por causa de suas ligações íntimas com o financista pedófilo Jeffrey Epstein. A questão se tornou divisiva porque Trump, que prometeu abrir os arquivos, esperava expor gente do “sistema”, como os Obamas e os artistas de Hollywood.
Acabou tendo que lidar com sua participação no círculo íntimo de Epstein, bem como de seus funcionários. Após dizer que teve apenas ‘interações limitadas’ com Jeffrey Epstein, os novos documentos dos arquivos do criminoso sexual revelaram que o secretário de Comércio, Howard Lutnick, por exemplo, foi sócio em diversos negócios de Epstein.
É curioso o silêncio da extrema-direita brasileira sobre o escândalo, especialmente dos Bolsonaros. Mas essa omissão tem justificativa.
Mensagens revelam conversas com Steve Bannon durante a campanha presidencial de 2018. Bannon disse a Epstein que era necessário manter sua relação com Jair Bolsonaro “nos bastidores” e discute a eleição brasileira como parte de um projeto político global.
Os diálogos indicam uma aproximação entre os envolvidos após o segundo turno, incluindo a chance de uma visita de Bannon ao Brasil. Mas o projeto principal de Steve Bannon e Epstein era outro: Eduardo Bolsonaro.
A ascensão de Eduardo como uma figura proeminente na extrema-direita brasileira não foi um fenômeno isolado, mas sim o resultado de uma estratégia global orquestrada pelo ex-estrategista-chefe de Donald Trump. Essa teia de influência, que se estende por financiamentos controversos e redes de desinformação, revela conexões profundas com Jeffrey Epstein.
As mensagens trocadas entre Bannon e Epstein, que cessaram abruptamente apenas com a prisão de Epstein em julho de 2019, mostram um nível de colaboração técnica e financeira sem precedentes.
Epstein não era apenas um espectador, mas um conselheiro ativo nos planos de Bannon para o chamado “The Movement”. Ele oferecia orientações sobre a “gestão de fluxos de fundos”, sugerindo o uso de criptomoedas e blockchain para financiar think tanks, anúncios e reuniões de cúpula política.
Em uma mensagem de agosto de 2018, Epstein demonstrou sua dedicação ao sucesso de Bannon: “Vamos garantir que você mantenha seu próprio caminho em primeiro plano. Estratégia etc.”, alertando Bannon para não se desgastar publicamente com sua associação: “Não se preocupe comigo. Não vale a pena por enquanto”.
A colaboração estendia-se a projetos de mídia e diplomacia paralela. Bannon e Epstein trabalharam em um documentário de duas horas, em que Epstein foi entrevistado por uma voz que se assemelha à de Bannon, discutindo temas como sua própria “toxicidade” e sua visão de mundo.
No campo diplomático, Epstein pressionou Bannon para mobilizar apoio dos EUA a Miroslav Lajčák, um líder eslovaco que buscava um cargo de destaque na OTAN, enquanto Bannon pedia a ajuda de Epstein para conectar aliados próximos em Israel com o ex-primeiro-ministro do país.
Dentro deste contexto de articulação global que Eduardo Bolsonaro foi introduzido. Em 2018, Bannon escolheu Eduardo para ser o rosto do “Movement” no Brasil, servindo como seu padrinho político e mentor.
Para Bannon, Eduardo representava o coroamento de um plano de cinco anos para exercer influência direta sobre a presidência da maior economia da América Latina.

A influência de Bannon sobre Eduardo foi determinante na retórica de fraude eleitoral que culminou nos eventos de 8 de janeiro. Os dois se conheceram pessoalmente em 2018 e nunca mais se largaram.
Durante as eleições de 2022, Bannon admitiu estar em contato direto com a equipe de Bolsonaro, incentivando o não reconhecimento da derrota e classificando os bloqueios de estradas por golpistas como a “primavera brasileira”.
A viagem de Eduardo aos EUA em dezembro de 2022, onde se encontrou com Donald Trump e conversou por telefone com Bannon, mostra que os movimentos pós-eleitorais foram coordenados sob a supervisão do estrategista americano.
A estrutura que sustentou essa aliança também envolveia figuras como o magnata chinês Guo Wengui, mecenas de longa data de Bannon. Investigações da Agência Pública e da revista Mother Jones revelaram que Paulo Figueiredo, anão golpista de estimação de Eduardo, recebeu cerca de 770 mil reais de uma empresa de Guo por seu trabalho na rede social Gettr.
A Gettr, fundada por Jason Miller (outro aliado de Bannon), não apenas serviu como plataforma de desinformação, mas também financiou eventos do instituto de Eduardo Bolsonaro e manifestações pró-Bolsonaro no Brasil.
Essa rede financeira conecta diretamente o submundo político e a cúpula da extrema-direita brasileira. O silêncio dos Bolsonaros diante do caso Epstein é compreensível quando se percebe que Eduardo Bolsonaro é, em essência, um produto dessa engrenagem.
O “projeto político” representado por Eduardo é uma peça de uma jogada global na qual figuras como Bannon e Epstein atuavam para desestabilizar democracias e consolidar sua influência.
O Brasil, por meio do Zero Três, tornou-se um laboratório para táticas de desestabilização financiadas por redes obscuras e orientadas por gente depravada que vai ter um encontro, em breve, com a Justiça.