Eduardo Bolsonaro esteve com Allan dos Santos e com empresário que teria articulado ataque ao Capitólio

Eduardo Bolsonaro visita Olavo e o blogueiro Allan dos Santos após se encontrar com a família Trump nos EUA em janeiro. Foto: Reprodução/Twitter

Um dos motivos para a Polícia Federal pedir a prisão de Allan dos Santos a Alexandre de Moraes é a conexão dele com a invasão do Capitólio nos EUA em 6 de janeiro por seguidores de Trump.

A investigação cita como prova a participação do delinquente no programa que Jonathan Owen Shroyer mantém no InfoWars, canal de fake news.

Segundo a PF, Allan usou sua participação para “reiterar e reverberar, dessa vez em solo americano, a difusão de teorias conspiratórias voltadas a desacreditar sistema eleitoral brasileiro, instituições e/ou pessoas”.

O extremista terá o nome incluído na lista de procurados pela Interpol. Será preso e extraditado para o Brasil. 

O que está sendo ignorado, por ora, é a relação ainda mais próxima de Eduardo Bolsonaro com a tentativa de golpe em Washington. 

Moraes está mandando um aviso: o próximo a ir em cana tem o sobrenome do presidente.

O site Proof deu uma matéria sobre o caso.

“Com uma nova reportagem de Olivia Little da Media Matters sobre sobre quem Mike Lindell encontrou na noite de 5 de janeiro e, além disso, sobre as pessoas com quem passou os ‘dois dias’ anteriores ao Dia da Insurreição, a lista dos presentes no infame ‘conselho de guerra’ de Trump na ‘residência privada’ no Trump International Hotel está agora crescendo a um nível que ninguém poderia ter previsto”, diz o autor, Seth Abramson.

Mike Lindell é CEO da fábrica de travesseiros My Pillow, apoiador e financiador de Trump.

Com bigode de galã de novela mexicana, ex-junkie, ele ficou famoso por promover um óleo extraído de uma planta como cura da covid-19 e por financiar a usina de contestações do resultado da eleição nos EUA em 2020.

Está sendo processado por espalhar mentiras acerca de fraudes nas urnas americanas e foi banido do Twitter.

De acordo com Abramson, escritor e colunista da Newsweek com passagem por CNN, BBC e CBS, esse time de 20 figurões arquitetou a revolta na capital americana. Um deles era Eduardo.

Abramson afirma que há provas significativas de que a equipe de Trump procurou ajuda de um “aliado estrangeiro” através do filho de Jair.

Michael Lindell relatou que se encontrou com “o filho do Bolsonaro na noite passada”. Falou isso em 6 de janeiro, o que significa que teria cruzado com Eduardo na “residência privada” de Trump.

Eduardo esteve oficialmente se despedindo do ídolo Trump.

Visitou a Casa Branca a convite de Ivanka, filha do ex-mandatário, acompanhado da mulher, Heloisa, da bebê Geórgia, e de Nestor Forster, embaixador do Brasil nos EUA.

Nas redes sociais, publicou uma foto com Ivanka.

“Ocasião para reforçar os laços entre os nossos países e para uma agradável conversa”, escreveu.

Postou também uma foto com o amigo. “Prazer em conhecer Michael Lindell, ex-drogado e hoje empresário de sucesso nos EUA”, escreveu no Twitter.

Presidente da comissão de Relações Exteriores da Câmara, Eduardo Bolsonaro, que ajudou Allan dos Santos a fugir do país, nunca condenou a insurreição.