Sem provas, Eduardo inventa “fraude” e pede pressão internacional contra vitória de Lula

Atualizado em 26 de outubro de 2026 às 15:02
Eduardo Bolsonaro em vídeo publicado na rede X
Eduardo Bolsonaro em gravação publicada na rede X. Foto: Reprodução

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) publicou um vídeo em inglês no qual acusa, sem apresentar provas, fraude na eleição presidencial vencida por Lula (PT) e pede pressão internacional para que o resultado não seja reconhecido. Na gravação, ele também defende o cancelamento do pleito.

Eduardo retomou argumentos apresentados por seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL), após a derrota. Ele questionou a virada de Lula entre o primeiro e o segundo turnos e criticou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou em duas horas o horário de votação.

“Esta é uma mensagem para vocês: não reconheçam estas eleições, porque ainda mais fatos estão surgindo agora”, disse Eduardo. Em seguida, afirmou: “Como Flávio disse, precisamos cancelar esta eleição. Ela foi claramente fraudulenta. Mas precisamos de pressão internacional. Precisamos que vocês compartilhem este vídeo”.

O ex-deputado usou pesquisas eleitorais e a soma dos votos recebidos por candidatos derrotados no primeiro turno para lançar suspeitas sobre o avanço de Lula na etapa final. Ele declarou ser “estatisticamente impossível” que o petista ampliasse a votação na proporção registrada, sem apresentar evidências de irregularidades.

Flávio anunciou tentativa de anular a eleição

Lula garantiu a reeleição no domingo (25), com 51,74% dos votos válidos, contra 48,26% de Flávio Bolsonaro. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou o resultado às 21h08, quando 97% das urnas já estavam apuradas; no primeiro turno, Flávio havia recebido 47,03%, diante de 45,16% de Lula.

Após o resultado, Flávio chamou a derrota de “sacanagem”, disse que seria “impossível” reconhecê-la e anunciou que acionaria a equipe jurídica para tentar anular a eleição. O senador afirmou que Zanin teria mudado “a regra do jogo no meio do jogo” ao estender a votação.

A campanha de Flávio, porém, havia solicitado ao TSE naquela tarde a ampliação do horário de votação em municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina. O senador também alegou que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre durante a apuração, versão negada pelo tribunal, que informou que representantes do partido acompanharam a totalização em área destinada à fiscalização.

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, declarou ter “absoluta segurança de todo o processo eleitoral”. O procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, também reconheceu o resultado e afirmou que o respeito à vontade expressa nas urnas fortalece as instituições democráticas; o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), disse que “não há o que se contestar”.

Dois dias antes do segundo turno, Eduardo já havia colocado em dúvida as urnas eletrônicas no podcast americano “Louder with Crowder”, apresentado pelo comentarista Steven Crowder. O TSE sustenta que nunca houve fraude comprovada no sistema, usado desde 1996, e lembra que cada urna imprime boletins de votação que podem ser consultados e comparados aos resultados oficiais.

Eduardo vive nos Estados Unidos desde 2025 e perdeu o mandato na Câmara em dezembro daquele ano por excesso de faltas. Em junho, a Primeira Turma do STF o condenou por unanimidade a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto, por coação no curso do processo; a condenação se tornou definitiva em 3 de outubro, e o ministro Alexandre de Moraes determinou o início do cumprimento da pena, a expedição de mandado de prisão e o cancelamento de seus passaportes brasileiros.

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