
A disputa pelo espólio eleitoral deixado por Eduardo Bolsonaro (PL) em São Paulo escancarou um racha no PL e expôs uma queda de braço dentro do bolsonarismo, inclusive entre membros da própria família. A cassação do ex-deputado e sua permanência nos Estados Unidos abriram um vácuo na corrida ao Senado no estado e desencadearam uma guerra interna por espaço, alianças e controle do palanque em 2026, conforme informações do Globo.
Sem Eduardo — que aparecia à frente em pesquisas —, ao menos seis nomes passaram a se apresentar como alternativa. Embora cassado por faltas pela Câmara, ele não está inelegível, mas aliados avaliam como improvável um retorno ao Brasil neste ano.
Eduardo é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentar coagir o Judiciário ao articular sanções a autoridades brasileiras, com alta chance de condenação.
Do exterior, o “Bananinha” tenta manter influência indicando o deputado estadual Gil Diniz. No início de dezembro, Diniz esteve nos EUA e teria ouvido um pedido direto para disputar o Senado. Aliados descrevem uma relação de confiança construída ao longo de 12 anos.
Em paralelo, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro atua para ampliar o espaço do PL Mulher. A deputada Rosana Valle entrou em pesquisas internas a pedido de Michelle, mas resiste e trabalha pela reeleição.
Tarcísio de Freitas, guindado ao posto de governador pelo Capitão que esta preso na Papudinha, se mantém acovardado, sem energia para disputar espaço dentro do clã.
Pressões por nomes e disputa pelo controle do palanque
Em um primeiro momento, o PL paulista também quase fechou questão em torno de Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente. Ele, porém, prefere disputar a Câmara e evitar o risco de uma majoritária.
Nos bastidores, dirigentes relatam o desejo do entorno do governador Tarcísio de Freitas de impor sua própria chapa, com Guilherme Derrite (PP) e outro nome fora do PL, em um cenário ainda indefinido de composição — serão duas vagas ao Senado por estado.
Jair Bolsonaro segue sem sinalizar preferência, mantendo a fila de interessados em suspensão. O deputado Marco Feliciano é o mais insistente, mas enfrenta resistências por ser visto como pouco viável e “barulhento demais”. “Estou aguardando ainda a direção do presidente Bolsonaro. Com o aval dele, estou à disposição”, disse Feliciano.
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O vice-prefeito paulistano, coronel Mello Araújo, surge como alternativa com apelo à pauta da segurança pública, mas encontra forte resistência na base do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Vereadores e integrantes da gestão reclamam de atritos desde que ele passou a fiscalizar contratos e a destinação de emendas.
“Não temos ainda definição. Feliciano, Mello Araújo, Renato Bolsonaro são possibilidades. Bolsonaro não deu opinião ainda”, afirmou o presidente do PL, Valdemar Costa Neto. No partido, líderes defendem uma decisão até o Carnaval para evitar que o vácuo seja ocupado por candidaturas fora do controle da sigla.
Impacto no projeto de Flávio
A indefinição afeta também o plano presidencial de Flávio Bolsonaro, que precisa de um palanque robusto em São Paulo. Aliados defendem abraçar a chapa desenhada por Tarcísio, ainda que sem nomes do PL, como a dobradinha Derrite e Ricardo Salles (Novo), para evitar a fragmentação da direita.
“A esquerda tem nomes fortes e competitivos. Então nós, da direita, temos que jogar junto para pegar as duas vagas. Se abrir demais, tem chance de a direita pegar apenas uma das vagas”, afirmou Salles.
A família Bolsonaro, porém, guarda irritação antiga com o ex-ministro, que deixou o PL após frustração com a negativa do partido à sua candidatura à Prefeitura de São Paulo em 2024. Apoiar Salles agora significaria avalizar um “dissidente” em detrimento de quadros da legenda.