Educação deve ser ponto central da agenda de resistência em 2020

Publicado originalmente na Rede Brasil Atual

O primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro na área da educação foi marcado por ataques diversos às universidades, com iniciativas e declarações ofensivas a membros da comunidade acadêmica por parte de integrantes do primeiro escalão. Com inúmeras controvérsias e enfrentando protestos de rua contra os cortes no setor, o  ministério da área teve como primeiro titular Ricardo Vélez Rodríguez, demitido em abril para dar lugar a Abraham Weintraub.

“O balanço é muito negativo. Passamos o ano inteiro sem discutir um projeto para a educação e resistindo aos ataques que foram feitos”, destaca a presidenta da Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG) Flávia Calé, em entrevista ao jornalista Glauco Faria, no Jornal Brasil Atual. “E, na reta final do ano, Bolsonaro assinou uma medida provisória mudando todo o formato de eleição para as universidades e institutos federais.”

Flávia faz referência à MP 914, que torna obrigatória a realização de eleições com listas tríplices para dirigentes das universidades federais, reduzindo-se o peso dos votos de alunos e funcionários. Estabelece ainda que os cargos de vice-reitor e diretores serão escolhidos pelo reitor, diferentemente de hoje, em que cada instituição define o modo de escolha desses cargos, geralmente, feita por votações.

“O método científico requer liberdade de pensamento necessariamente”, lembra Flávia. “É impossível desenvolver um pensamento com tutela”, pontua. A MP 941 também foi duramente critica pelo ex-ministro da Educação Renato Janine Ribeiro. “A MP possibilita a escolha de reitores sem representatividade acadêmica e coloca toda a estrutura universitária nas mãos de reitores bolsonaristas. Isso tudo é inaceitável”, disse, em entrevista à RBA.

Flávia projeta um 2020 difícil, mas acredita no poder mobilizador que o tema tem junto à sociedade. “Vamos ter um ano de muita dificuldade, de novo, mas o maior patrimônio que conseguimos construir é que a educação e a ciência – que tinha pouca visibilidade e ganhou muita – de alguma maneira galvanizaram um sentimento de oposição a esse governo”, aponta.

“A gente tem que tratar da agenda da educação com muito carinho, muito zelo, pois tem o potencial de construir luta de massa e uma agenda de resistência no Brasil muito potente. Essa unidade que conseguimos construir no último ano tem que persistir e a agenda da educação não pode ser capturada por nenhum interesse outro porque ela é a melhor forma de fazer oposição ao projeto que está em curso no Brasil.”

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