Efeito Lula: Dólar tem a maior queda em 20 meses e fecha o dia em R$ 5,19

Atualizado em 29 de janeiro de 2026 às 22:11
Moedas de real sobre o dólar. Foto: reprodução

O dólar encerrou a quinta-feira (29) abaixo de R$ 5,20 pela primeira vez em quase dois anos, em um pregão marcado por forte volatilidade nos mercados globais. A bolsa brasileira, por sua vez, interrompeu a sequência de recordes históricos e fechou em queda, acompanhando o movimento negativo das bolsas estadunidenses.

A moeda estadunidense terminou o dia vendida a R$ 5,194, com recuo de 0,22%. Durante a sessão, o câmbio oscilou de forma intensa: caiu para R$ 5,16 no fim da manhã, saltou para R$ 5,24 por volta de 12h30 e voltou a recuar à tarde, consolidando-se abaixo de R$ 5,20 a partir das 15h30. Trata-se do menor valor desde 28 de maio de 2024. Na semana, o dólar acumula queda de 1,75% e, em janeiro, recuo de 5,38%.

O Ibovespa, principal índice da B3, caiu 0,84% e fechou aos 183.133 pontos. O indicador chegou a avançar quase 1% pela manhã e ultrapassar os 186 mil pontos, mas perdeu força ao longo da tarde, refletindo a piora do humor em Wall Street, especialmente após a divulgação de balanços de empresas de tecnologia.

Fachada da B3. Foto: reprodução

Apesar da divulgação de dados relevantes no Brasil, como a decisão do Copom e indicadores do mercado de trabalho, o cenário externo predominou. As bolsas estadunidenses abriram em queda acentuada, e, embora parte das perdas tenha sido reduzida, o índice Nasdaq recuou quase 1%, pressionando os mercados globais.

A sinalização do Banco Central brasileiro contribuiu para a valorização do real. O Copom manteve a Selic em 15% ao ano, mas indicou a possibilidade de iniciar cortes de juros já em março.

“Vimos uma reação positiva do mercado, com dólar perdendo força e curva de juros fechando, porque o Copom deixou bem explícito que deve reduzir os juros na próxima reunião”, afirmou Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos.

O comunicado do BC reforçou a percepção de maior confiança na trajetória da inflação. “O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião”, informou a autoridade monetária. Para José Marcio Camargo, da Genial Investimentos, o tom foi mais claro do que o esperado: “A mudança no tom sugere que o Banco Central adquiriu maior confiança na efetividade da política monetária”.

No mercado internacional, o ouro recuou 0,27%, enquanto o petróleo subiu mais de 3%, impulsionado por tensões geopolíticas e preocupações com um possível conflito envolvendo os Estados Unidos e o Irã.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.