Efeito Lula: fome infantil cai quase 30% em um ano no Brasil

Atualizado em 6 de abril de 2026 às 7:38
Merenda escolar. Foto: Agência Brasil

O Brasil chegou ao Dia Nacional da Saúde e Nutrição, celebrado em 31 de março, com avanços relevantes no combate à fome e na melhora do acompanhamento nutricional de crianças e adolescentes. Dados recentes ligados a políticas públicas do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), somados ao fortalecimento de sistemas como o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), indicam melhora em indicadores que medem tanto a segurança alimentar quanto o estado nutricional da população infantil.

O monitoramento na primeira infância cresceu de forma expressiva nos últimos anos. Em 2022, 6,2 milhões de crianças menores de cinco anos tiveram peso e altura acompanhados na Atenção Primária à Saúde (APS).

Em 2025, segundo dados preliminares, esse número subiu para 7,9 milhões, sinalizando ampliação da cobertura dos serviços públicos. No mesmo intervalo, também houve melhora em indicadores de má nutrição: a magreza acentuada caiu de 2,8% para 1,8%, enquanto a obesidade recuou de 6,4% para 5,7%.

A redução da fome entre crianças e adolescentes acompanha essa trajetória. A parceria entre a Secretaria Extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome (SECF), do MDS, e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) permitiu monitorar a segurança alimentar nos lares brasileiros por meio da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia).

De acordo com o IBGE, com base na Ebia aplicada à PNAD Contínua, 3,6% das crianças e adolescentes de zero a 17 anos viviam, em 2024, em domicílios com insegurança alimentar grave, ante 4,8% em 2023.

Crianças se alimentando. Foto: reprodução

O resultado representa o menor patamar da série histórica do IBGE, iniciada em 2004. O país saiu de cerca de 2,5 milhões de crianças e adolescentes em situação de insegurança alimentar grave, em 2023, para 1,8 milhão em 2024, uma queda de quase 30% em apenas um ano.

O avanço é associado à combinação de políticas públicas voltadas ao acesso à renda, à alimentação e ao acompanhamento nutricional, muitas delas vinculadas ao Plano Brasil Sem Fome.

Entre as iniciativas destacadas estão os benefícios pagos pelo Bolsa Família. Desde março de 2023, o Benefício Primeira Infância garante R$ 150 mensais a famílias de cerca de 9 milhões de crianças de zero a seis anos.

Também há o adicional de R$ 50 por criança ou adolescente de sete a 18 anos, alcançando famílias de cerca de 15 milhões de beneficiários nessa faixa etária. Um estudo da SECF, divulgado em 2025, mostrou efeitos diretos dessas ações: entre crianças com baixa estatura em 2019, 77% apresentavam altura adequada em 2023.

No mesmo período, 64% das crianças que tinham magreza passaram a apresentar peso adequado. Já entre aquelas com sobrepeso ou obesidade, 57% atingiram peso compatível com a idade. A alimentação escolar também aparece como peça importante nesse cenário.

Em fevereiro de 2026, os repasses do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) foram reajustados com aumento médio de 14%, somando-se à ampliação de 28% a 35% feita em 2023. Hoje, o programa atende 38 milhões de estudantes da rede pública, sendo 7,6 milhões na educação infantil.

Os dados também reforçam a influência da escola na segurança alimentar. Em 2024, 8% das crianças e adolescentes de cinco a 17 anos que frequentavam creche ou escola estavam em insegurança alimentar moderada ou grave. Entre os que não frequentavam, o índice era de 16%, o dobro. P

ara a secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do MDS, Valéria Burity, os números confirmam o efeito das ações integradas.

“Os dados mostram que garantir renda, alimentação e acompanhamento de saúde faz diferença concreta na vida das crianças. Quando uma família tem condições de colocar comida na mesa e a criança é acompanhada pelos serviços de saúde e pela escola, por exemplo, os resultados aparecem: melhora o estado nutricional, diminui a fome e contribui para o desenvolvimento. Combater a má nutrição no Brasil exige exatamente isso, políticas públicas integradas que assegurem alimentação adequada e saudável desde a primeira infância”, afirmou.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.