Efeito Lula: PIB cresce 1,1% e Brasil voltará a ser a 10ª maior economia do mundo

Atualizado em 29 de maio de 2026 às 10:27
Imagem ilustrativa. Foto: Reprodução

A economia brasileira cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 em relação aos três últimos meses de 2025, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (29). O resultado marca uma aceleração do PIB após a alta de 0,3% registrada no quarto trimestre do ano passado e ficou próximo da mediana das projeções do mercado financeiro, que esperava avanço de 1%.

O desempenho reforça a trajetória de recuperação da economia durante o governo Lula. Segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Brasil deve voltar ao grupo das dez maiores economias do mundo em 2026, alcançando a 10ª posição no ranking global após ter ocupado o 11º lugar em 2025.

A alta de 1,1% foi a maior em quatro trimestres, desde o primeiro trimestre de 2025, quando o PIB havia avançado 1,3%. As estimativas do mercado financeiro para o período de janeiro a março variavam de 0,6% a 1,7%, segundo levantamento da Bloomberg.

Pela ótica da produção, a agropecuária teve o principal avanço, com alta de 2%, influenciada pelo peso da safra de grãos no início do ano. A indústria cresceu 1%, enquanto os serviços, setor de maior peso na economia, avançaram 0,5% no período.

O IBGE também destacou o crescimento da indústria extrativa, que subiu 3,6%, e de outras atividades de serviços, com alta de 0,8%. A extrativa mineral integra a indústria, enquanto o grupo de outras atividades de serviços reúne diferentes segmentos do setor de serviços.

Pelo lado da demanda, o consumo das famílias acelerou para 1% no primeiro trimestre. Foi a maior taxa em seis trimestres, desde o terceiro trimestre de 2024, quando o avanço havia sido de 1,4%. O consumo das famílias representa cerca de 65% do PIB pela ótica da demanda.

Gráfico mostra a variação do PIB brasileiro ao longo de diferentes governos. Foto: Reprodução/Folha

Os investimentos produtivos também contribuíram para o resultado, com crescimento de 3,5% após queda de 3,4% no trimestre anterior. A alta foi a maior desde o primeiro trimestre de 2021, quando os investimentos haviam subido 6,3%, ainda no período da pandemia.

Analistas avaliam que o crescimento de 2026, ano eleitoral, tende a ser mais forte no primeiro trimestre do que nos períodos seguintes. A economia vinha perdendo ritmo ao longo de 2025 em meio aos juros elevados para conter a inflação, mas o mercado de trabalho voltou a dar sinais de força no início deste ano, com desemprego baixo e renda em alta.

Além do mercado de trabalho, economistas apontam a safra de grãos e medidas do governo Lula como fatores de estímulo à atividade, entre elas liberação de crédito, valorização do salário mínimo, manutenção de programas sociais e isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês. “Tem um cabo de guerra. Por um lado, há os estímulos vindos do governo federal e, por outro, uma taxa de juros que prende a atividade”, afirmou Rodolpho Sartori, da Austin Rating. Ele disse ainda que os juros altos são um “mal necessário” para conter a inflação, pressionada pela guerra no Irã, que elevou o preço do petróleo e dos combustíveis.

A Selic começou 2026 em 15% ao ano, caiu para 14,75% em março e 14,5% em abril. O mercado projeta alta de 1,89% para o PIB em 2026, enquanto o Ministério da Fazenda estima 2,3%. A divulgação também foi a primeira com a nova equipe do IBGE responsável pelo cálculo, após a saída de Rebeca Palis da coordenação de contas nacionais e sua substituição por Ricardo Moraes.

Francine Eustaquio
21 anos. Trabalha no DCM desde 2025. Interessada em política, cultura e temas sociais, dedica-se à produção de conteúdo informativo e otimizado para o público digital. Aprecia leitura, cinema e música, além de explorar novos destinos e experiências gastronômicas nas horas vagas.