Efeito Trump e Efeito Bolsonaro: sensível diferença. Por Arnóbio Rocha

Donald Trump e Jair Bolsonaro. Foto: Wikimedia Commons

Muitas pessoas comparam as duas eleições como iguais: candidatos absolutamente irracionais conquistam uma manada violenta, furibundos e movidos pelo ódio extremo. 

Muitos apostam no efeito Trump, pois lá foi a mesma histeria coletiva, os mesmos avisos desesperados de que ele destruiria os EUA.

Vamos aos fatos:

1. Os EUA têm um estado com uma burocracia ESTÁVEL que tornam presidentes irrelevantes, secundários, a economia é tocada pelo FED, nomeado na gestão anterior, com mandato fixo;

2. Leiam o livro “MEDO na Casa Branca” do Bob Woodward (jornalista do caso Watergate) para entender o tamanho da estupidez que é Trump;

3. No Brasil o presidencialismo é vital, herança do monarca, tem força essencial e poderes imensos, que na mão de um inepto autoritário pode jogar um país no caos.

A comparação entre Trump e Bolsonaro só é possível do ponto de vista eleitoral, dessa irracionalidade coletiva, porém, os efeitos colaterais são bastante previsíveis e preocupantes.

A tendência autoritária e golpista de milicos, pode nos levar a uma nova ditadura, ainda mais cruel, pois é legitimada pelo voto, contando ainda que não há qualquer controle legal sobre a presidência.

O Congresso reflete exatamente essa histeria coletiva, elegendo bancadas de dezenas de partidos, sem nenhuma coerência política ou ideológica, presa fácil para um executivo com a “caneta na mão”.

O Judiciário que foi a “ponta de lança” do último golpe, terá seu espelho na presidência. A dúvida é se submeterá a ele, ou a disputa será fratricida?

A grande mídia, outro tripé do golpe e incentivadora do ódio ao PT, tomou um vareio nessas eleições, se tornou irrelevante, seus debates são boicotados pelo Bolsonaro e fica por isso mesmo.

A Globo não emplacou seu candidato e terá o Bozo, o homem da Record/Bandeirantes, com a caneta. 

Farão um acordo?

Portanto não há como comparar o efeito deletério de um governo Bolsonaro com Trump.

Mesmo este não toleraria uma república de bananas militarizada, com zero protagonismo mundial.

É lutar para evitar o CAOS. Tem tempo, curto, mas tem.

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