“Egoísta até o último grau”: o juiz americano que pode ser o pai espiritual de Gilmar. Por Kiko Nogueira

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Antes de Gilmar Mendes, houve James Clark McReynolds (esqueça o saudoso JB por um momento).

Em sua incrível capacidade de tumultuar um ambiente já convoluto, uma negação do cargo que ocupa, Gilmar afirmou que o PT “tinha um plano perfeito de se eternizar no poder”. Chegou a dar a data: 2038. A Lava Jato “estragou tudo”.

O problema é que “não combinaram com os russos”, prosseguiu. “É um modelo de governança corrupta, algo que merece o nome claro de cleptocracia.”

Para além de seu comportamento, como definiu a OAB, ”grosseiro e arbitrário”, há um rancor enorme de quem foi vencido na votação do financiamento privado das campanhas eleitorais.

McReynolds pode ser considerado, no que diz respeito ao espírito e à capacidade de semear o ódio, um antecessor de Gilmar. Seu legado na Suprema Corte americana foi definido pelo New York Times como “um poço de amargura”.

Foi indicado por Woodrow Wilson em 1914.

Irascível e descortês, foi um dos juízes mais desagradáveis daquela corte. Howard Taft, presidente do país e depois colega de McReynolds, o chamou de “egoísta até o último grau” e “mais cheio de preconceitos do que qualquer homem que eu já conheci.”

McReynolds “parecia ter prazer em deixar os outros desconfortáveis”, segundo Taft. Conservador, anticomunista fanático, tentou barrar qualquer iniciativa que achasse que significava uma “regulação da economia pelo estado”. Foi um adversário ferrenho do New Deal.

Se Gilmar se retirou diante do advogado Cláudio Pereira de Souza Neto, da OAB, McReynolds girou sua cadeira 180 graus na frente do promotor Charles Hamilton Houston, um importante defensor dos direitos civis. A razão: Houston era negro.

McReynolds se aposentou em 1941, isolado e ressentido após 27 anos de serviços prestados. Morreu cinco anos depois. Nenhum integrante da Suprema Corte esteve em seu funeral.

 

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