
O Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, repudiou as declarações do cardiologista Clederson Henry Dina, que afirmou nas redes sociais não atender eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT). Em nota divulgada após a repercussão do episódio, a instituição informou que o caso está sendo analisado de acordo com seu código de ética e suas diretrizes internas.
O médico publicou uma sequência de stories no Instagram com ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a seus apoiadores. Em uma das mensagens, escreveu: “Não atendo petistas vagabundos”. Dina também afirmou possuir “recursos” para recusar pacientes com essa preferência política, mas não explicou como identificaria a orientação partidária das pessoas que procurassem atendimento.
Em seu posicionamento, o Einstein declarou que não tolera manifestações discriminatórias e ressaltou que as opiniões individuais dos profissionais que atuam no hospital não representam a instituição.
“O Einstein conta com cerca de 20 mil médicos, entre autônomos e contratados, que atuam no hospital. Declarações individuais desses profissionais não representam o posicionamento institucional da organização. O Einstein repudia de forma veemente qualquer manifestação ou ação discriminatórias e não tolera condutas que atentem contra o respeito e os direitos de qualquer pessoa. O caso mencionado está sendo tratado de acordo com o código de ética, princípios e diretrizes institucionais”, informou o hospital.

As publicações do cardiologista foram apagadas antes de completarem 24 horas no Instagram. Antes da repercussão, seu perfil mencionava o Hospital Albert Einstein e a clínica do infectologista David Uip. Posteriormente, essas referências foram retiradas da descrição da conta.
A assessoria de David Uip esclareceu que Dina não possui vínculo empregatício com sua clínica. Segundo a equipe do infectologista, o cardiologista apenas aluga uma sala de atendimento no mesmo prédio.
O Código de Ética Médica, estabelecido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), determina que a profissão deve ser exercida sem discriminação de qualquer natureza. A norma estabelece que a atividade médica deve estar voltada à saúde das pessoas e da coletividade, independentemente de convicções políticas, religiosas ou outras características pessoais.
O código também proíbe que médicos deixem de prestar atendimento em serviços de urgência e emergência quando essa assistência for de sua responsabilidade.
“É vedado ao médico deixar de atender em setores de urgência e emergência, quando for de sua obrigação fazê-lo, mesmo respaldado por decisão majoritária da categoria”, estabelece a norma.
Embora existam circunstâncias em que um profissional pode deixar de assumir determinado atendimento, a recusa motivada exclusivamente pela preferência política do paciente contraria os princípios de não discriminação previstos no código.
O Einstein não informou quais medidas específicas poderão ser adotadas em relação a Clederson Henry Dina. Até o momento, a instituição confirmou apenas que está tratando o episódio conforme suas normas éticas e institucionais.