“Ela morreu!”: a reação da mãe de Ana Clara ao ser chamada por Flávio pelo nome da filha

Atualizado em 24 de outubro de 2026 às 0:06
Lula Ana Clara
Campanha do Lula levou Cristiane Gomes da Silva, mãe da menina Ana Clara, para o debate da Globo. Foto: Divulgação/Campanha do presidente Lula

 

Flávio Bolsonaro (PL) chamou a mãe de Ana Clara Gomes Machado pelo nome da filha morta e ouviu dela a reação: “Ela morreu!”. O episódio ocorreu no debate da TV Globo nesta sexta-feira (23), quando o senador respondeu à cobrança de Lula (PT) por ter integrado a defesa do policial acusado de matar a menina de 5 anos em Niterói, no Rio de Janeiro.

Cristiane Gomes da Silva acompanhava o confronto na plateia, a convite do presidente. Depois de Lula apontar sua presença, Flávio se dirigiu a ela: “Ana Clara, eu quero falar para a senhora, prestar de verdade a minha solidariedade”. A mãe então gritou que a filha havia morrido.

O senador afirmou que não conseguia imaginar o que seria perder uma filha de 5 anos. Classificou o episódio como uma “tragédia” e sustentou a versão de que havia uma “troca de tiros numa comunidade conflagrada”.

Ao falar do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado pela morte da criança, Flávio declarou: “Eu tenho a confiança que não foi esse policial, ele sequer foi julgado ainda”.

Ana Clara morreu em 2 de fevereiro de 2021, na comunidade Monan Pequeno, em Niterói. A criança estava perto de casa com o irmão quando foi atingida durante a ação policial. O Ministério Público contestou a versão de confronto com base em testemunhas que negaram a ocorrência de troca de tiros. Delaroli nega que os disparos que atingiram a menina tenham partido de sua arma.

Flávio integrou a defesa do policial e assinou, em 2024, um recurso ao Superior Tribunal de Justiça para tentar reverter a decisão que o encaminhou ao Tribunal do Júri. O pedido foi negado, e Delaroli ainda aguarda julgamento.

Cristiane já havia cobrado que o caso fosse julgado e afirmado que reconhece o direito do acusado à defesa. Sua reivindicação é que os jurados examinem a morte da filha. “Eu estou pedindo para que ele seja julgado”, disse.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!