Ele não está só: quem é a advogada que pegou carona em Hélio Bicudo. Por Kiko Nogueira

Janaina Paschoal e Hélio Bicudo no Roda Viva
Janaina Paschoal e Hélio Bicudo no Roda Viva

 

No depoimento que deu ao DCM sobre seu pai Hélio Bicudo, o professor José Eduardo apontou que o “rancor desmedido e os limites impostos por ele aos próprios familiares” o fizeram “se aproximar de pessoas que certamente o estão usando”.

Bicudo está lúcido e, aparentemente, sabe o que faz, mas entre os que estão pegando carona em sua empreitada brilha a estrela de Janaina Conceição Paschoal.

Aos 41 anos, advogada, professora de direito penal na USP, Janaina é co-signatária do pedido de impeachment que deve ser arquivado por falta de provas (o terceiro autor é o jurista Miguel Reale Júnior).

Arquiconservadora, figura conhecida dos movimentos de direita que foram às ruas — chegou a discursar de cima de um carro de som no protesto de 16 de agosto —, Janaina ganhou maior visibilidade no Roda Viva.

Sentada ao lado de Bicudo, aproveitou cada chance para dar seu recado. Fez um discurso longo e inflamado sobre as “ditaduras reverenciadas pelo PT”, repetindo clichês sobre “a institucionalização da corrupção”. O PSDB é diferente, diz ela.

É preciso fazer alguma coisa agora “para impedir que o Brasil vire uma Venezuela, antes que os oposicionistas comecem a apanhar no Congresso e que aqueles que ousam falar alguma coisa contra sejam presos”.

Essa ladainha paranoica revoltada on line é repetida ad nauseum. Janaina é a personificação de uma página de Facebook. Volta e meia, publica artigos alarmistas. Já se declarou preocupada com as “forças ocultas” que “manipulam nossos jovens marxistas de twitter” (??).

A falta de provas não a impede de acusar desafetos, reais ou fantasmagóricos. Pelo jeito, é uma marca que deveria servir de alerta para seus pobres alunos. Em 2013, mandou ver o seguinte sobre as manifestações: “Segundo consta, funcionários da Presidência da República, subordinados a Gilberto Carvalho, foram organizadores e fomentadores do protesto (sic)”.

Defendeu a estudante Mayara Petruso, aquela que convidou os paulistas a afogar os nordestinos em 2010, após a eleição de Dilma. Para Janaina, claro, a culpa era de Lula, que separa “o Brasil em Norte e Sul. É ele quem faz questão de cindir o povo brasileiro em pobres e ricos”.

Janaina afirma que foi dela que partiu a iniciativa do documento do impeachment com Bicudo. “Esse pedido nasceu aqui”, falou, orgulhosa, ao Estadão, no Largo de São Francisco.

Para um farol megalomaníaco da democracia, peca demais tecnicamente. O provável arquivamento é o desfecho de uma série de problemas da papelada encaminhada a Eduardo Cunha.

Quando o requerimento foi protocolado, descobriu-se que Bicudo não tinha título de eleitor. Mais tarde, no início de setembro, Cunha devolveu novamente a documentação porque havia “erros formais”. Para a infalível Janaina, um absurdo. “Foi uma sacanagem que fizeram comigo”, declarou.

Em maio, ainda segundo o Estado, recebeu 45 mil reais do PSDB para auxiliar Reale a produzir seu parecer sobre o impedimento de Dilma Roussef. Janaina pode ser uma patriota e uma cidadã de bem, mas não é trouxa e sabe que esse negócio de antibolivarianismo não dá apenas ibope.

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