
As eleições de 2026 registraram 107 candidaturas trans entre os 20.511 nomes inscritos, um recorde nas estatísticas oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O grupo representa 0,52% do total de candidaturas e cresceu 35% em relação ao levantamento anterior disponível.
O TSE passou a incluir um marcador oficial de identidade de gênero em suas estatísticas nesta eleição. Dos candidatos registrados, 11.742, ou 57,28%, se declararam cisgêneros, enquanto 8.649, equivalentes a 42,19%, optaram por não divulgar a informação.
Entre as pessoas trans que disputam cargos, 54 concorrem a vagas de deputado estadual e 50 buscam mandatos na Câmara dos Deputados. Há ainda duas candidaturas a deputado distrital e uma candidatura a vice-governador.
Os partidos de esquerda concentram a maior parte dessas candidaturas. O PSOL reúne 39 pessoas trans na disputa, seguido por PT, com 16, e PDT, com 15.

Dados oficiais passaram a identificar gênero dos candidatos
Em 2022, o tribunal ainda não reunia esse indicador em seu banco oficial de candidaturas. Naquele pleito, a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) mapeou 79 pessoas trans na disputa eleitoral.
O levantamento da entidade em 2022 incluiu 70 travestis e mulheres trans, cinco homens trans e quatro pessoas não binárias. O número indicava alta de 49% ante 2018, quando foram contabilizadas 53 candidaturas trans.
O Congresso Nacional elegeu pessoas trans pela primeira vez em 2022, com as vitórias de Erika Hilton (PSOL-SP) e Duda Salabert (PSOL-MG) para a Câmara. As duas deputadas federais concorrem à reeleição em 2026.
Erika Hilton recebeu quase 257 mil votos em São Paulo e se tornou a nona deputada federal mais votada do estado, além de liderar entre as candidatas do PSOL. Duda Salabert obteve pouco mais de 208 mil votos em Minas Gerais e terminou a disputa estadual em terceiro lugar, atrás de Nikolas Ferreira (PL) e André Janones (Avante).