“Eleição é fichinha”: risco de intervenção dos EUA no Brasil vai além das urnas, diz jornalista

Atualizado em 19 de agosto de 2026 às 11:19
Donald Trump, presidente dos EUA. Foto: reprodução

O jornalista João Paulo Charleaux relatou, em sua conta no X nesta quarta-feira (19), que durante sua participação em um evento acadêmico sobre os riscos de intervenção americana no Brasil, percebeu que especialistas apontam problemas ainda maiores. Segundo ele, há uma pressão perene dos EUA para assegurar acesso a recursos (água, comida, petróleo, minerais) e alienar a China — uma política de cerca de dez anos. A divergência é sobre a escalada militar. O período eleitoral inflama essa disputa.

Leia o relato de João Paulo Charleaux:

Fui ontem a um evento a portas fechadas, numa prestigiada instituição de pesquisa, para conversar sobre os riscos de intervenção americana no Brasil. Cheguei achando que eu era o mais alarmado da turma. Quando ouvi os acadêmicos, caí pra trás. Eleição é fichinha.

Se tem uma coisa que a gente faz, como jornalista, é ouvir pessoas. Você vai ao mercado de ideias fazer compras. Depois, trata de peneirar isso, traçar uma mediana. No caso da interferência americana, me assusta a projeção de pessoas sérias, de que o problema transcende a eleição

A leitura mais alarmante é aquela que apresenta elementos perenes de conflitividade: os EUA intensificando a pressão sobre o Brasil para assegurar acesso a recursos e alienar a China, o que não diria respeito apenas a esta eleição, mas a uma política sustentada por uns dez anos.

O que eu faço em seguida é submeter as hipóteses de um especialista à apreciação de outros, para tentar determinar quão extravagante é a coisa. O que sinto é que há certo consenso sobre o diagnóstico. A divergência é sobre o risco de escalada militar: aí parecem ser meros chutes.

Seja como for, vai ficando claro que o Brasil está numa encruzilhada em escala global, pois tem água, comida, petróleo e minerais, além de ser o país mais proeminente da América do Sul. Essas condições não são novas em si, mas ganham relevo em contexto de escassez e bipolaridade

Se uma eleição presidencial define quem dá as cartas pelos próximos 4 ou 8 anos, é natural que o período eleitoral dê um sentido de oportunidade e urgência para quem busca criar para si condições mais favoráveis de influência sobre o Brasil. É um momento de inflamação.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.