Eleição não é corrida de cavalo, dizia Brizola: melhor não esquecer. Por Vivaldo Barbosa

Paes e Crivella: o ruim e o pior

Em momentos de decisões delicadas, difíceis, nunca é de mais lembrar momentos de acertos. Na campanha de 1982, quando só se falava em Sandra e Miro, muitos da esquerda defendiam que era preciso apoiar quem tinha condições de ganhar da direita mais raivosa. Brizola observou que eleições não são corrida de cavalo: o voto é ato de consciência.

Quando pedimos voto para alguém, procuramos direcionar as consciências das pessoas para algo que tenha virtudes, pelo menos algumas das nossas virtudes. Pedimos às pessoas alinhamento político conosco.

O Crivella, além de tantos defeitos, encarna o Bolsonaro. E teve aquele gesto horroroso de ter sido ministro da Dilma e, depois, trabalhar para o impeachment dela.

O Eduardo Paes tem tido comportamento tão cínico na política que chega a ser estarrecedor. Fruto do César Maia, na campanha contra o Gabeira passou a negá-lo. O mesmo com Cabral. Havia sido algoz do Lula e do PT na Câmara, depois, pelas mãos do Cabral, foi pedir apoio ao Lula. Recebeu tantos favores do Lula e da Dilma e, depois, mandou o Pedro Paulo votar no impeachment e passou a defendê-lo.

Além disso, são pesadas as denúncias feitas pelo Ministério Público em processos em andamento de envolvimento com empreiteiras.

Ambos representam o pior momento da política brasileira: a implantação do neoliberalismo, o fisiologismo, o cinismo, o engano, a mentira, uma mixórdia que achincalha a República. E veja que Paes recebeu sinais do próprio Bolsonaro.

Não merecem nosso apoio. Não poderíamos procurar direcionar as consciências da nossa gente para nada do que eles representam. Qualquer um que ganhar reforçará o conservadorismo no Brasil e a continuidade da espoliação do nosso povo.

O trabalhismo, que se assenta na defesa da legislação trabalhista e da Previdência Social, das estatais estratégicas, do desenvolvimentismo e nos direitos do nosso povo, não podemos ter lado neste 2º turno no Rio. Para nós, trabalhistas e brizolistas, ambos os candidatos são nossos adversários. Ambos agridem os ideais de soberania e os valores da República.

Nós podemos perder aqui e ali, uma hora ou outra. Podemos sofrer derrotas, das quais, muitas vezes, tiramos lições proveitosas. Mas eles não podem conquistar o poder por nossas mãos. Seria duro, nos mancharia e prejudicaria nossa luta contra a pesada herança do colonialismo e da escravidão.

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