
Partidos do Centrão passaram a se movimentar de forma pragmática no tabuleiro eleitoral do Rio de Janeiro e mantêm conversas tanto com o secretário estadual de Cidades e deputado licenciado Douglas Ruas (PL) quanto com o prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD), hoje os dois principais nomes no radar para a disputa pelo Palácio Guanabara em outubro. A indefinição reflete a busca por uma candidatura viável que reúna musculatura partidária, palanque nacional e controle de bases regionais.
Segundo o jornal O Globo, Douglas Ruas é visto dentro do PL como o nome favorito para encabeçar a chapa ao governo estadual e abrir caminho para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na eleição presidencial. O secretário, no entanto, impôs condições claras para aceitar a missão. A principal delas é a garantia de uma aliança robusta com partidos de grande capilaridade no estado, capazes de assegurar tempo de TV, estrutura e presença municipal.
Depois do próprio PL, PP e União Brasil concentram o maior número de prefeituras no Rio e devem formalizar uma federação. Na avaliação de Ruas, a adesão desse bloco, somada ao Republicanos, é essencial para tornar a candidatura competitiva. Com esse núcleo formado, siglas menores, como Solidariedade e PSDB, tenderiam a acompanhar o movimento.
Do outro lado, Eduardo Paes intensificou as articulações com o PP. O prefeito mantém diálogo direto com o deputado federal Doutor Luizinho, presidente estadual da legenda, com o prefeito de Campos dos Goytacazes, Wladimir Garotinho, e com o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa, apontado como possível vice.

O Progressistas é hoje o segundo partido com mais prefeituras no estado, atrás apenas do PL, o que o torna peça-chave na costura eleitoral.
Paes também tem ampliado agendas em municípios governados por partidos aliados ao governador Cláudio Castro (PL), especialmente no Norte Fluminense, em um esforço para reduzir resistências fora da capital e construir pontes com o interior.
No caso de Douglas Ruas, a cautela se explica pelo alto risco político envolvido. O plano original do secretário é disputar a reeleição para a Assembleia Legislativa e, no início do próximo ano, tentar a presidência da Alerj.
Uma derrota na corrida ao governo o deixaria sem mandato e sem perspectiva imediata de retorno eleitoral. Aos 37 anos, ele também está impedido de disputar a prefeitura de São Gonçalo em 2028, já que o atual prefeito é seu pai, Capitão Nelson (PL), o que inviabiliza a sucessão familiar.
Ainda assim, aliados apontam fatores que tornam Ruas competitivo: a força eleitoral de São Gonçalo e da Região Metropolitana Leste Fluminense, a influência do bolsonarismo no estado e o controle da Secretaria de Cidades, responsável por repasses e obras em municípios. Pesquisas internas indicam bom desempenho quando o nome do secretário é associado à família Bolsonaro e a Cláudio Castro.