“Eleições municipais selam golpe em Bolsonaro, que murchou nas capitais”, diz mídia europeia

Para o britânico Financial Times, Bolsonaro saiu golpeado das eleições municipais

Terminado o segundo turno, as eleições municipais no Brasil confirmam uma derrota para Jair Bolsonaro na visão de diferentes veículos europeus de imprensa.

“As eleições municipais selam golpe em Bolsonaro”, avalia o Financial Times.

“O centro tradicional e os partidos de centro-direita foram os grandes vencedores nas eleições municipais de domingo enquanto os candidatos apoiados pelo presidente populista Jair Bolsonaro despencaram”, diz a reportagem do correspondente em São Paulo Bryan Harris e Carolina Pulice.

Para o espanhol El Mundo, “Bolsonaro murcha nas principais capitais do Brasil”.

“As eleições municipais tiraram-lhe o Rio de Janeiro, até agora nas mãos de um aliado, o pastor evangélico Marcelo Crivella”, observa o correspondente Joan Royo Gual.

“O segundo turno das eleições municipais no Brasil confirmou o tropeço de Jair Bolsonaro no primeiro turno”, afirma.

“Depois que seus aliados não conseguiram avançar nas principais cidades, agora perde importantes bastiões, começando pelo Rio de Janeiro, seu feudo eleitoral. A derrota não é apenas quantitativa, mas também simbólica, já que de certa forma o Rio é o berço do bolsonarismo”.

Na avaliação da publicação espanhola, não teve mito páreo para uma péssima gestão: “O atual prefeito, Marcelo Crivella, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, já tinha níveis de popularidade baixíssimos por sua péssima gestão do dia a dia da cidade, mas estava confiante que agitar o nome de Bolsonaro faria um milagre de última hora. Não foi suficiente”.

“(Crivella) levou uma pancada considerável diante do ex-prefeito Eduardo Paes”.

Para o jornal liberal de Madri, o DEM foi o grande vencedor dessas eleições. “Paes pertence ao Democratas, um partido de centro-direita que foi o grande campeão das eleições, já que também conquistou cidades tão importantes quanto Salvador, Curitiba e Florianópolis. Esta capilaridade será a base para a formação de uma alternativa conservadora ao bolsonarismo das eleições presidenciais de 2022”.

Para espanhol El Mundo, Bolsonaro “murchou” nas principais capitais brasileiras

Em Portugal, a derrota de Bolsonaro também é a principal mensagem das urnas deste domingo. “Os resultados confirmaram a derrota clara dos candidatos apoiados pelo chefe de Estado, Jair Bolsonaro”, diz o canal de rádio e televisão RTP, o principal do país.

“Neste domingo, dos 13 (apoiados pelo presidente brasileiro) apenas 2 conseguiram ser eleitos”.

O correspondente no Rio de Janeiro Pedro Sá Guerra observa que “no segundo turno em 57 cidades brasileiras, 59 candidatos tinham o apoio do presidente, mas 45 ficaram para trás logo no primeiro turno”.

“As táticas de Bolsonaro não resultam”, afirma. “Desta vez Bolsonaro nem sequer participou na campanha”.

Para principal rede de TV portuguesa, derrota de Bolsonaro foi clara

Boulos e a renovação da esquerda

O jornal El Mundo vê no resultado de Boulos em São Paulo um processo que está começando. “A esquerda não chegou a conquistar São Paulo, mas começa a se reciclar à margem do PT de Lula”.

Outro feito de Boulos, segundo o periódico de Madri, foi de se livrar do estigma contra sua militância no Movimento dos Trabalhadores Sem Teto. “A atual campanha não lhe deu a prefeitura de São Paulo, mas conseguiu se mostrar como um candidato moderado que já não assusta a classe média. Conseguiu mais de 40% de apoio, algo impensável há muito pouco tempo”.

A publicação vê o resultado como uma vantagem para o psolista. “Sai reforçado como um dos principais nomes da nova esquerda no Brasil, depois de conseguir unir todos os partidos progressistas em torno de sua candidatura”.

Se “o PT deixa de ser hegemônico no campo progressista”, o jornal observa que a esquerda vai governar Fortaleza, Recife e Belém, “com partidos que se apresentam como alternativa ao lulismo”.

Estabilidade

Para o francês Le Monde, os brasileiros votaram nessas eleições buscando “estabilidade”.

“Cansados da epidemia de Covid-19 (172 mil mortes até 29 de novembro) e dois anos de tempestade bolsonarista, os eleitores brasileiros parecem estar buscando estabilidade,” afirma o jornal.

“Então eles se voltaram para o tranquilizante centrão, escória da política local, composta de uns quinze partidos que pegam tudo, vencedores em mais de 70% das prefeituras do país este ano”.

Para o francês Le Monde, a “bola da vez” é o centro

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