Eles vão ter que nos engolir. Por Nathalí Macedo

Manuela D’Ávila e Fernando Haddad. Foto: Ricardo Stuckert

A vitória do autoritarismo e os tempos sombrios que temos vivido são aparentemente uma parte inevitável, mas não intransponível, de nossa sofrida história política.

 E já que é preciso vive-la, que nossa sensatez nos permita vislumbrar nossos ganhos diante de tantas perdas nesta catástrofe anunciada.

Como temos dito, Jair Bolsonaro é um sintoma: a personificação de todo o ódio e consciência de classe deturpada (ausente, em muitos casos) de 55% dos brasileiros que elegeram o presidente mais autoritário entre os países democráticos do mundo.

Dito isto, a derrota da figura de Bolsonaro nas urnas não nos devolveria um Brasil feliz. Teríamos que lidar com o fascismo incrustado em tantos brasileiros, que se manifestaria de mil outras formas mais e em tantas outras figuras possíveis.

Penso que a única maneira de vencer o fascismo neste momento é testemunhá-lo e trazê-lo à luz, já que, na prática, o temos visto tão de perto. Na medida do possível, – a imprensa alternativa decerto não terá paz –, o autoritarismo será notícia na era das redes sociais, e a história dará conta de associar Bolsonaro ao período mais sombrio da história recente do Brasil.

 A Nova Era será de sombras, e talvez esta seja a única maneira de mostrar ao brasileiro que se abstém ou busca a “mudança” a qualquer custo aprenda sobre responsabilidade política – o preço é alto, é verdade, mas não há alternativa senão pagá-lo.

A barbárie que já se inicia não será mais leve, decerto, para os que o elegeram: pesará sobre os ombros da classe trabalhadora, da classe artística e das minorias, mas esta conta certamente chegará – embora não dividida em partes iguais – para a esmagadora maioria dos brasileiros.

E quando pudermos dizer a plenos pulmões “eu avisei!” – e esse dia há de vir antes do que você pensa, – teremos duas figuras importantíssimas na nova fase que se anuncia no PT. A imagem desgastada do Partido merecia um sopro de vida, e Fernando Haddad e Manuela D’Ávila são os nomes.

A campanha combativa – e cautelosa, não mais que o necessário – por si só, devolveu aos brasileiros a esperança de um futuro de liberdade. As escolhas do partido dificilmente seriam mais felizes: a figura pouco contaminada de Haddad – que ganhou força ainda incalculável nestas eleições – e Manuela, a mulher jovem e combativa que responde aos anseios de uma sociedade que vive, embora em frangalhos, a terceira onda do movimento feminista.

Um professor e uma mãe: nada poderia ser mais simbólico para dar fôlego à resistência de um país órfão do maior líder popular de sua história, perseguido e preso.

Nesta campanha, Haddad e Manuela mostraram não apenas comprometimento com a nação, mas capacidade de superar expectativas mesmo sob pressão: combatendo as mentiras, abraçando as pessoas certas e respondendo aos antipetistas moderados com a tão esperada autocrítica.

Os presentes que ganhamos neste processo eleitoral são inúmeros: fomos às ruas falar sobre política e, sobretudo, sobre amor. Levamos nossos livros para a cabine de votação. Vimos todas as esquerdas, enfim, juntas. A classe artística está conosco. Todos os que importam estão conosco – e não abrem. Três milhões de mulheres estão unidas politizando sua condição.

Nós não seremos acuados.

O sol há de brilhar mais uma vez.

Estaremos lá, juntos.

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