Elo entre Banco Master e PCC, dono da Reag negocia acordo para delação premiada

Atualizado em 26 de março de 2026 às 6:33
João Carlos Mansur, fundador da Reag. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O empresário João Carlos Mansur, investigado no caso Banco Master, negocia um acordo de delação premiada desde o fim de 2025 e já iniciou tratativas com o Ministério Público de São Paulo no âmbito da Operação Carbono Oculto. A investigação apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em atividades da economia formal, incluindo fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro por meio de fundos de investimento.

Mansur, ex-dono da gestora Reag, passou a ser alvo após a operação deflagrada em agosto do ano passado e, posteriormente, também entrou no radar das apurações envolvendo o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro.

Segundo a Folha de S.Paulo, o empresário procurou o Ministério Público em novembro e apresentou proposta de colaboração, mas as negociações ainda não foram concluídas. Antes disso, houve tentativa de acordo com o Ministério Público Federal, que não avançou.

O advogado de Mansur é José Luís Oliveira Lima, conhecido como Juca, o mesmo que passou a atuar na defesa de Vorcaro. Nos bastidores, autoridades avaliam a possibilidade de uma delação articulada entre os dois, ainda que sem formalização conjunta.

Nesse modelo, cada um firmaria seu próprio acordo, desde que os relatos sejam convergentes e complementares. O volume de benefícios dependerá das provas apresentadas e da gravidade dos crimes atribuídos a cada investigado.

A Operação Carbono Oculto investiga um esquema de movimentação de recursos ilícitos ligados ao PCC, com uso de empresas e fundos para ocultar a origem do dinheiro. Segundo os investigadores, a Reag teria abrigado estruturas usadas para “esquentar” valores provenientes de atividades criminosas. À época, a gestora administrava cerca de R$ 352 bilhões, segundo dados da Anbima.

Policiais na sede da Reag. Foto: reprodução

As negociações em âmbito estadual indicam que, até o momento, não há menção a autoridades com foro privilegiado federal. Caso o acordo seja fechado, os valores devolvidos devem ser destinados ao estado de São Paulo. Para a homologação, é necessário que o investigado admita crimes e apresente provas que sustentem os relatos.

Mansur deixou o comando do conselho da Reag em setembro de 2025, em meio à crise gerada pelas investigações. Em depoimento à CPI do Crime Organizado, ele negou irregularidades e afirmou que a empresa possuía compliance robusto, dizendo que foi penalizada por ser “grande e independente”.

As apurações também se conectam a outras operações, como a Compliance Zero, que investigou o uso de fundos para inflar o patrimônio do Banco Master.

Após a segunda fase dessa operação, o Banco Central decretou a liquidação da Reag, apontando “comprometimento da situação econômico-financeira da corretora, bem como por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN [sistema financeiro nacional]”.

Relatórios do Banco Central enviados ao Tribunal de Contas da União indicaram indícios de fraude em operações que somariam R$ 11,5 bilhões, envolvendo o Master e fundos ligados à Reag. As transações foram classificadas como portadoras de “falhas graves” e comunicadas ao Ministério Público Federal.

Outros investigados também tentam acordos de delação, como Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, apontado como operador financeiro, além de empresários foragidos citados nas investigações.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.