
O empresário João Carlos Mansur, investigado no caso Banco Master, negocia um acordo de delação premiada desde o fim de 2025 e já iniciou tratativas com o Ministério Público de São Paulo no âmbito da Operação Carbono Oculto. A investigação apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em atividades da economia formal, incluindo fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro por meio de fundos de investimento.
Mansur, ex-dono da gestora Reag, passou a ser alvo após a operação deflagrada em agosto do ano passado e, posteriormente, também entrou no radar das apurações envolvendo o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro.
Segundo a Folha de S.Paulo, o empresário procurou o Ministério Público em novembro e apresentou proposta de colaboração, mas as negociações ainda não foram concluídas. Antes disso, houve tentativa de acordo com o Ministério Público Federal, que não avançou.
O advogado de Mansur é José Luís Oliveira Lima, conhecido como Juca, o mesmo que passou a atuar na defesa de Vorcaro. Nos bastidores, autoridades avaliam a possibilidade de uma delação articulada entre os dois, ainda que sem formalização conjunta.
Nesse modelo, cada um firmaria seu próprio acordo, desde que os relatos sejam convergentes e complementares. O volume de benefícios dependerá das provas apresentadas e da gravidade dos crimes atribuídos a cada investigado.
A Operação Carbono Oculto investiga um esquema de movimentação de recursos ilícitos ligados ao PCC, com uso de empresas e fundos para ocultar a origem do dinheiro. Segundo os investigadores, a Reag teria abrigado estruturas usadas para “esquentar” valores provenientes de atividades criminosas. À época, a gestora administrava cerca de R$ 352 bilhões, segundo dados da Anbima.

As negociações em âmbito estadual indicam que, até o momento, não há menção a autoridades com foro privilegiado federal. Caso o acordo seja fechado, os valores devolvidos devem ser destinados ao estado de São Paulo. Para a homologação, é necessário que o investigado admita crimes e apresente provas que sustentem os relatos.
Mansur deixou o comando do conselho da Reag em setembro de 2025, em meio à crise gerada pelas investigações. Em depoimento à CPI do Crime Organizado, ele negou irregularidades e afirmou que a empresa possuía compliance robusto, dizendo que foi penalizada por ser “grande e independente”.
As apurações também se conectam a outras operações, como a Compliance Zero, que investigou o uso de fundos para inflar o patrimônio do Banco Master.
Após a segunda fase dessa operação, o Banco Central decretou a liquidação da Reag, apontando “comprometimento da situação econômico-financeira da corretora, bem como por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN [sistema financeiro nacional]”.
Relatórios do Banco Central enviados ao Tribunal de Contas da União indicaram indícios de fraude em operações que somariam R$ 11,5 bilhões, envolvendo o Master e fundos ligados à Reag. As transações foram classificadas como portadoras de “falhas graves” e comunicadas ao Ministério Público Federal.
Outros investigados também tentam acordos de delação, como Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, apontado como operador financeiro, além de empresários foragidos citados nas investigações.