
A cara de pau dos super ricos ao insultar nossa inteligência não tem limites.
Elon Musk, por exemplo, afirmou que a ascensão tecnológica, sobretudo da IA, pode tornar a aposentadoria irrelevante (?) Segundo ele, o mundo entrará num estado de “abundância” que a tornará obsoleta.
É mole ou quer mais?
O cara é o dono dos maiores projetos que propõem essa “abundância”, e não é preciso dizer sobre seu interesse direto na naturalização do trabalho precário para favorecimento de suas próprias empresas.
Nenhum futuro poderia ser melhor para um bilionário do que um mundo robótico, tomado pela IA que ele comanda, que lhe dê mais e mais dinheiro enquanto destrói simbolicamente sociedades inteiras.
É canalhice em um nível ofensivo.
A Indonésia respondeu a essa tentativa de neocolonização, proibindo e bloquearando o Grok, ferramenta de inteligência artificial criada pela xAI de Elon Musk — acessível pela rede social X — devido ao uso indevido da IA para gerar imagens sexualizadas e deepfakes sem consentimento, incluindo conteúdos envolvendo mulheres e menores.
E o pior: quando dá merda, a culpa é do usuário.
Isso escancara sua irresponsabilidade social (já outras vezes demonstrada) disfarçada de “inovação.”
Não há nada de novo em explorar os pobres, my darling. A diferença é que agora fazem isso através de algoritmos, algo tão covarde quanto assustador.
Em outras palavras: o hype em torno da IA está longe de ser sobre progresso. Trata-se simplesmente de mercadoria.
Pra ser ainda mais clara, a IA é uma serva leal do capitalismo tardio.

É preciso, nessa discussão, considerar a guerra global digital inaugurada pela popularização das Inteligências Artificiais, um verdadeiro projeto de exploração algoritmica.
Para observadores atentos, o que está sob discussão não é avanço tecnológico, muito menos se trata de “ser a favor ou contra” a tecnologização da vida (na verdade, isso nem existe).
A discussão preponderante aqui é sobre imperialismo e soberania.
Ao saírem na frente com a regulação da IA – urgente no mundo inteiro! – países como a Indonésia (e outros do sudeste asiático) não apenas reagem ao avanço tecnológico, mas afirmam poder soberano sobre corporações como o X.
O que aos desavisados pode parecer um banimento moral é, na verdade, uma afirmação de soberania que o Brasil deveria tentar.
Governos emergentes moldando regras da economia digital global é revolucionário, uma resposta coerente e corajosa ao imperialismo digital.
O bloqueio do Grok não apenas protege os usuários de conteúdos abjetos – como pedofilia e misoginia – mas afirma diante de um manda chuva bilionário que ele não invadirá um país com seus algoritmos, ou apenas não tão facilmente.
De uma coisa podemos ter certeza: a atitude da Indonésia é um gesto político de enorme potência simbólica.
É um país dizendo que sua população não é laboratório, que sua soberania não está à venda e que seus limites não serão ditados por bilionários do Vale do Silício travestidos de profetas do futuro.
Em um mundo onde corporações tecnológicas avançam como potências coloniais, a regulação vira um ato de resistência.