Em 3 anos de governo Lula, preço da gasolina cai 16% nas refinarias, mas postos cobram 37% a mais

Atualizado em 6 de fevereiro de 2026 às 8:53
Frentista abastecendo carro. Foto: Gabriel de Paiva/Agência O Globo

Apesar da queda acumulada no preço da gasolina vendida pela Petrobras às distribuidoras desde o fim de 2022, o alívio não chegou ao bolso do consumidor. Dados oficiais mostram que, enquanto o valor nas refinarias recuou 16,4% no período, o preço médio do litro nos postos subiu 37,1%, aprofundando a percepção de descompasso entre a política de reajustes e o que é efetivamente pago pelos motoristas.

Desde dezembro de 2022, a Petrobras reduziu em R$ 0,51 o preço da gasolina nas refinarias, passando de R$ 3,08 para R$ 2,57. Ao todo, foram 11 reajustes, com oito cortes e três elevações. O mais recente, anunciado na semana passada, diminuiu em R$ 0,14 o valor do combustível para as distribuidoras. No entanto, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o litro nos postos saltou de R$ 4,98 para R$ 6,33 no mesmo intervalo.

Na prática, encher um tanque de 50 litros ficou R$ 67,50 mais caro em cerca de três anos, considerando a alta média de R$ 1,35 por litro. Em casos extremos, o impacto é ainda maior: na semana passada, o preço máximo de revenda chegou a R$ 9,29 em postos de Barueri e Guarujá, em São Paulo.

Especialistas explicam que a parcela da Petrobras representa apenas 28,4% do valor final da gasolina. O restante é composto pela mistura com etanol, impostos federais e estaduais, além das margens de distribuição e revenda.

“Desde a tributação até chegar ao posto, existe um caminho completo que envolve logística, custos operacionais e a própria dinâmica regional que pode afetar os valores”, afirmou Renato Mascarenhas, diretor da Edenred Mobilidade, em entrevista ao Uol.

Caminhão de distribuição da Petrobras. Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília

Mudanças tributárias e custos na cadeia também pesam. “Algumas mudanças tributárias e a valorização do etanol fizeram com que o valor final da gasolina aumentasse nos postos”, disse Ricardo Hammoud, professor do Ibmec-SP. Ele cita o aumento do ICMS, de R$ 0,10 por litro, como um fator de impacto imediato.

“Quando o ICMS aumenta, como aconteceu no último mês, o impacto é direto e também mais rapidamente sentido nas bombas”, reforçou Mascarenhas.

Para a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, a dificuldade de repassar as reduções ao consumidor está ligada à privatização da BR Distribuidora. “A gente abaixa o preço do combustível, mas as distribuidoras em geral alargam suas margens e isso não alcança o consumidor final”, afirmou.

Os postos, por sua vez, rejeitam o rótulo de vilões. O presidente do Sincopetro, José Alberto Gouveia, disse ao Uol que a margem permitiria reduzir, no máximo, R$ 0,06 do corte feito nas refinarias. Ele também aponta que irregularidades e esquemas ilegais no setor, revelados por investigações recentes, criam um mercado paralelo que distorce a concorrência e pressiona os preços.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.