Em 7 linhas, Sardenberg expôs a farsa das normas da Globo para uso das redes por seus jornalistas. Por Kiko Nogueira

Sardenberg atropelou as “novas diretrizes” da Globo sobre uso das redes sociais

Nenhum brasileiro acima de 12 anos e alfabetizado achou que as tais novas diretrizes da Globo para o uso de redes sociais deveriam ser levadas a sério.

“Jornalistas devem se abster de expressar opiniões políticas”, diz o documento.

Isso serve para os Chicos Pinheiros e outros poucos que desafiam — timidamente, eventualmente no WhatsApp, numa mensagem vazada — o pensamento único da casa (até ser demitidos).

Não existe nas redes e muito menos na vida real.

Numa carta a seus empregados, chamados de “companheiros”, João Roberto Marinho, um dos donos, insiste no termo “isenção”.

Vinte minutos da face constipada de Gerson Camarotti no domingo, dia 8, narrando a reação guerreira de Sergio Moro para manter Lula na cadeia, são uma lição de manipulação, partidarismo e parcialidade.

Camarotti comandou o show, chutando a esmo o Direito, repetindo que o desembargador Rogério Favreto era “petista”, lamentando que a coisa já estava resolvida no tribunal das galáxias e, poxa, assim não dá.

Camarotti não é advogado, mas quem precisa disso?

Como lembrou Gilmar Mendes, a GloboNews é a Terceira Turma do STF. Instigava Moro a agir, cobrava o “companheiro” Thompson Flores, colocava “especialistas” — todos do mesmo lado, evidentemente — para detonar Favreto.

Camarotti explica como funciona o Direito

Rogério Favreto bagunçou um dia que deveria ser dedicado à cobertura do resgate dos meninos na Tailândia, quando os paus mandados podem mostrar uma face “humana”, quem sabe dar aquela choradinha.

O jurista Lenio Streck falou dos “ministros” da GloboNews, que “fazem o imaginário” nacional.

“Tem um problema difícil? Consulta o Camarotti, ele sabe tudo, é o grande jurista que não estudou Direito”, afirma Lenio.

Nas redes sociais, o veterano Carlos Alberto Sardenberg não se aguentou e mostrou no Twitter a verdade sobre as normas da Globo.

“No mínimo, o desembargador Favreto deveria ter se declarado impedido de tomar decisão a respeito de Lula, por ter sido funcionário e seguidor do ex-presidente”, escreveu.

“Assim como Toffoli é suspeito para julgar os chefes petistas, aos quais deve a carreira. Mas estão lá para isso mesmo”.

Grande Sardenberg!

Em sete linhas, desmascarou a farsa divulgada por seu patrão com a solenidade de uma autoridade da República.

“Jornalistas não devem nunca se pôr como parte do debate político e ideológico, muito menos com o intuito de contribuir para a vitória ou a derrota de uma tese, uma medida que divida opiniões, um objetivo em disputa”, reza a cartilha.

Esqueça Moro e Thompson Flores: com gente como Camarotti e Sardenberg, foi a Globo que colocou as coisas em seus devidos lugares.

Lula não sai da prisão sem o OK do companheiro Marinho e seus bozós.